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Eleições 2026

Fátima diz que candidatura de Allyson é “tutelada pelas oligarquias” e aposta em crescimento de Cadu Xavier

Governadora sustenta que discurso de renovação é contraditório diante dos apoios recebidos pelo ex-prefeito de Mossoró
Por O Correio de Hoje
05/06/2026 | 15:03

A governadora Fátima Bezerra (PT) afirmou que a pré-candidatura de Allyson Bezerra (União) ao Governo do Rio Grande do Norte representa um projeto “tutelado” por grupos tradicionais da política potiguar. Em entrevista à Rádio Universitária, ela disse que o ex-prefeito de Mossoró tenta se apresentar como nome novo, mas reuniu em torno de sua pré-candidatura lideranças antigas, partidos tradicionais e famílias com longa presença no poder estadual.

“Não me venha com essa história. O novo reuniu em torno de si as oligarquias todas do Estado. É uma candidatura tutelada pelas oligarquias aqui do estado do Rio Grande do Norte”, afirmou a governadora.

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Governadora do RN, Fátima Bezerra, em entrevista à rádio Universitária - Foto: youtube / reprodução

A crítica de Fátima mira a composição do palanque de Allyson. Até agora, a pré-candidatura do ex-prefeito de Mossoró tem apoio de oito partidos: União Brasil, PP, MDB, PSD, Republicanos, Solidariedade, PRD e Avante. No grupo político liderado pelo ex-prefeito de Mossoró, estão lideranças como o ex-senador e ex-governador José Agripino Maia (União), o vice-governador Walter Alves (MDB), o ex-governador, ex-senador e ex-ministro Garibaldi Alves Filho (MDB), a senadora Zenaide Maia (PSD), o deputado federal e ex-governador Robinson Faria (PP), o deputado federal João Maia (PP) e o deputado federal Benes Leocádio (União Brasil).

Na avaliação de Fátima, esse conjunto de apoios contradiz o discurso de renovação apresentado pelo pré-candidato. Segundo a governadora, a candidatura de Allyson expressa “o que existe de mais conservador, de mais atrasado” na política estadual. Ela disse que o projeto, apesar de embalado como novidade, está vinculado a forças que governaram o Rio Grande do Norte em diferentes momentos e que, na visão dela, representam um modelo voltado aos interesses de grupos políticos.

“Ou seja, é um projeto que vai significar o quê? Voltar ao passado, aqueles governos de perfil oligárquico, perfil tradicional, governos que eram muito mais voltados para atender os interesses de grupos do que os interesses exatamente da coletividade como um todo”, declarou.

Fátima também comentou a adesão de prefeitos aliados de sua gestão à pré-candidatura de Allyson, entre eles Dr. Tadeu (PSDB), de Caicó, e Marianna Almeida (PSD), de Pau dos Ferros. A governadora disse respeitar as decisões, mas classificou os movimentos como um equívoco. Segundo ela, Tadeu tem trajetória mais próxima do campo progressista e de centro-esquerda, enquanto Marianna é uma liderança jovem que, em sua avaliação, se vinculou a um projeto conservador.

Ao ser questionada se se sentiu traída pelos prefeitos, Fátima evitou usar essa palavra. “Eu não vou tratar nesses termos. Agora, lamento, acho que é um equívoco”, afirmou.

Na entrevista, a governadora contrapôs a pré-candidatura de Allyson ao projeto governista liderado pelo ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier (PT). Fátima disse estar “muito confiante” com o que chamou de “time de Lula” no Rio Grande do Norte e afirmou que a pré-campanha governista deu um passo importante ao lançar uma plataforma colaborativa para a construção do programa de governo. Ela destacou que o ato, realizado na terça-feira 2, reuniu mais de 20 prefeitos e representantes de vários segmentos da sociedade.

A governadora afirmou que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, participou do evento e enviou mensagem elogiando a mobilização. Segundo Fátima, Edinho saiu do Rio Grande do Norte mais confiante com o projeto de Cadu e levaria essa avaliação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Fátima também citou pesquisa AtlasIntel divulgada na semana anterior e disse não ter se surpreendido com os números que colocaram Cadu em posição favorável. Ela afirmou reconhecer a credibilidade do instituto e disse que percebe, nas ruas, uma popularização crescente do nome do pré-candidato petista.

“Eu estou vendo exatamente o nome de Cadu se popularizando cada vez mais. As pessoas hoje, quando se encontram comigo e Cadu não está comigo, a primeira coisa que elas me perguntam agora é: governadora, cadê Cadu?”, afirmou.

A governadora apresentou Cadu como servidor de carreira, auditor fiscal e gestor com perfil técnico. Segundo ela, ele teve papel relevante nas áreas de tributação e finanças desde o início de sua gestão, quando o Estado enfrentava salários atrasados, dificuldades fiscais e serviços públicos em crise. Fátima disse que Cadu ajudou a tirar o Rio Grande do Norte da situação que chamou de “massa falida” encontrada em 2019.

Balanço da administração

Ela citou como resultado de sua gestão o desempenho do Rio Grande do Norte no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), afirmando que o Estado apareceu em primeiro lugar no Nordeste, superando o Ceará. Também destacou que o RN teria sido o primeiro estado nordestino a superar a relação entre empregos com carteira assinada e beneficiários do Bolsa Família.

Fátima relacionou esses dados à política de incentivos fiscais e tributários implantada em sua gestão. Segundo ela, Cadu “pilotou” a modernização do antigo Proadi, substituído pelo Proedi, ampliando o número de indústrias beneficiadas. A governadora afirmou que, até 2019, havia entre 116 e 119 empresas atendidas pelo programa de incentivos. Hoje, segundo ela, são 367 empresas.

A governadora também citou a inclusão de setores antes não contemplados, como reciclagem e sal, nos programas de incentivo. Para Fátima, a mudança ajudou a atrair e manter empresas no Rio Grande do Norte, especialmente fora da região metropolitana, com reflexos na geração de empregos.

Outro ponto destacado pela governadora foi a defesa da ética na gestão pública. Fátima afirmou que honestidade, decência e zelo com o dinheiro público são princípios inegociáveis de seu governo. Ela disse que, em quase oito anos de gestão, a Polícia Federal não bateu à porta do Governo do Estado e que seus secretários não respondem a acusações de propina, tráfico de influência ou desvio de recursos.

A governadora usou esse ponto para diferenciar sua gestão de administrações anteriores e de adversários políticos. Ao ser lembrada pelos entrevistadores de operações em governos passados, Fátima afirmou que se sente com o dever cumprido. Ela também mencionou investigações relacionadas à Prefeitura de Mossoró, sem detalhar os casos, e disse que os desdobramentos estão em curso.

Crítica a Álvaro, PSDB e Legislativo

Fátima também criticou o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), outro pré-candidato ao Governo. Para ela, Álvaro representa um projeto associado ao bolsonarismo e à extrema direita. A governadora disse que a candidatura dele carrega um campo político ligado ao autoritarismo, à ameaça à democracia e à soberania nacional.

Nesse trecho, Fátima relacionou a família Bolsonaro à nova ameaça de tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Ela afirmou que esse tipo de articulação prejudica diretamente a economia do Rio Grande do Norte, citando setores como pesca e sal.

A governadora também voltou a defender a presença do PSDB na aliança governista. Ela confirmou que a reunião com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), estava marcada, mas foi adiada para a semana seguinte por causa de um compromisso familiar do deputado. Fátima disse que deseja que o PSDB integre a chapa de Cadu e afirmou que o partido poderia indicar o nome para a vice, preferencialmente uma mulher.

Segundo Fátima, sua aliança com Ezequiel existe há oito anos e não é apenas institucional, pelo fato de ele presidir a Assembleia e ela, o Executivo. A governadora disse que há também uma relação política e que a liderança de Ezequiel justifica a tentativa de atração do PSDB para o palanque governista. Ela ressaltou, porém, que a decisão cabe ao partido.

Na disputa pelo Senado, Fátima afirmou que Samanda Alves (PT) tende a crescer à medida que o eleitorado compreender que ela ocupa a vaga que seria da própria governadora na chapa. “Samanda é Fátima”, disse. Segundo ela, a vaga pertencia ao PT e, com sua decisão de não disputar o Senado, o partido escolheu Samanda como nome de renovação.

A governadora afirmou ter orgulho da renovação geracional do PT no Rio Grande do Norte, especialmente por ser liderada por mulheres. Citou Samanda Alves, Natália Bonavides, Isolda Dantas, Divaneide Basílio, Brisa Bracchi e Marleide Cunha como exemplos desse processo. Fátima disse ainda acreditar que Natália será novamente a deputada federal mais votada do Estado.

Sobre Rafael Motta (PDT), Fátima disse que ele também integra o “time de Lula” no Rio Grande do Norte. Segundo ela, o PDT reivindicou participação na chapa majoritária, e Rafael disputará a outra vaga ao Senado ao lado de Samanda. Para a governadora, a composição expressa coerência política e programática com o projeto nacional liderado por Lula.

Entregas federais

Fátima afirmou que o apoio de Lula aos candidatos governistas no Rio Grande do Norte é “inquestionável” e disse que o presidente deseja vir ao Estado ainda em junho. Segundo ela, Lula mandou recado dizendo que quer visitar o túnel Major Sales, obra ligada à conclusão da transposição das águas do São Francisco no RN.

A governadora disse que conversa com a Casa Civil e com a ministra Miriam Belchior para tentar viabilizar a agenda antes do período de restrição eleitoral. Entre as obras que podem entrar no roteiro, ela citou o túnel Major Sales, o ramal Apodi-Mossoró, o Hospital Metropolitano, a duplicação da BR-304 e a conclusão da Reta Tabajara.

Fátima destacou o túnel Major Sales como obra de R$ 1,6 bilhão e disse que seu valor principal não está no montante financeiro, mas no impacto humano e social de garantir segurança hídrica ao povo do Rio Grande do Norte. Segundo ela, a chegada das águas do São Francisco beneficiará regiões como Pau dos Ferros, Apodi e Mossoró.

Na saúde, a governadora citou o Hospital Metropolitano como um dos legados mais importantes de sua gestão. Segundo ela, a unidade terá 350 leitos, investimento de R$ 200 milhões e perfil voltado para urgência e emergência em trauma, com objetivo de desafogar o Hospital Walfredo Gurgel. Fátima disse que deixará dinheiro em conta para que Cadu, caso seja eleito, conclua a obra até o fim de 2027 e coloque o hospital em funcionamento pleno.

A governadora também citou a reforma do Hospital Walfredo Gurgel, afirmando que os trabalhos estão em andamento. Segundo ela, a unidade já não possui condições adequadas para atender a população atual, muito maior do que a existente quando o hospital foi construído.

Em relação à infraestrutura rodoviária, Fátima citou a duplicação da BR-304, com trecho de Assú a Mossoró em curso e outro de Macaíba a Riachuelo. Também mencionou a Reta Tabajara, afirmando que os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro não concluíram a obra. Segundo ela, no governo Lula já foram entregues mais de 14 quilômetros, restando cerca de 2,5 quilômetros na travessia urbana.

Ao final, Fátima disse que a chapa completa do grupo governista está sendo trabalhada e que a definição deve avançar em junho ou até julho. A governadora afirmou que o “time está em campo” e voltou a demonstrar confiança na união da base em torno de Cadu, Samanda, Rafael e Lula.