O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) defendeu a participação da iniciativa privada na gestão do Centro de Convenções de Natal. Em entrevista ao podcast Eleições 2026, da TV Agora RN, nesta terça-feira 11, ele afirmou que o modelo da parceria ainda precisará ser discutido, mas sustentou que o equipamento deve permanecer ativo, gerar receitas e contribuir para a realização permanente de eventos na capital.
“Eu defendo a iniciativa privada. A gente só tem que escutar o modelo. É importante dizer isso. Existem diversos modelos para se trazer a iniciativa privada”, declarou Allyson, ao ser questionado especificamente sobre uma possível concessão do Centro de Convenções.

O candidato afirmou que a parceria deverá ser estruturada de forma a assegurar retorno financeiro ao poder público e benefícios para a população. “Eu defendo um modelo em que o Estado consiga lucrar e repassar esse lucro para o povo. Eu defendo um modelo em que o equipamento esteja ativo. Não é justo o equipamento parado”, disse.
Segundo Allyson, o Centro de Convenções poderia receber um calendário mais intenso de atividades caso fosse gerido em conjunto com empresas. “Eu entendo que a gente tem, sim, que utilizar o Centro de Convenções para que a gente consiga ter eventos em Natal todo santo dia”, afirmou.
A ampliação das parcerias público-privadas é uma das diretrizes do programa de governo apresentado por Allyson. O documento prevê concessões, parcerias e investimentos privados, condicionados a estudos de viabilidade, competição, transparência, fiscalização pública e proteção dos usuários.
Na entrevista, o candidato afirmou que a atual gestão do Governo do Estado não conseguiu estruturar investimentos relevantes com o setor privado. “Eu sou defensor de que o poder público trabalhe em parceria com a iniciativa privada. É fundamental isso. Isso não acontece no Estado. Você não tem uma ação de investimento privado no Rio Grande do Norte construída com o Governo do Estado. Não existe nenhuma”, declarou.
Além do Centro de Convenções, Allyson defendeu a participação de empresas na modernização da infraestrutura portuária. O objetivo, segundo ele, é qualificar o Porto de Natal para ampliar a exportação de cargas e permitir a chegada de cruzeiros.
“Eu defendo que a gente tenha a condição de ter um porto de qualidade em Natal para que, além de exportar as nossas cargas, a gente consiga receber embarcações turísticas”, disse. “Então, qual o problema de se trazer a iniciativa privada para tomar conta disso? Qual o problema de se trazer a iniciativa privada para dentro?”, acrescentou.
Allyson argumentou que a escassez de recursos públicos exige a busca por capital privado. Para ele, o Estado deve concentrar sua capacidade financeira em áreas essenciais, como saúde, educação, segurança e infraestrutura rodoviária, recorrendo a concessões para ampliar os demais investimentos.
“O problema que acontece é que o serviço público continua, infelizmente, sofrido, porque não tem dinheiro. A iniciativa privada quer investir e o poder público acaba não aceitando isso”, afirmou.
Exemplo de Mossoró
Allyson citou a concessão da Arena Nogueirão em Mossoró, como exemplo do modelo que pretende levar à administração estadual. O antigo equipamento, construído há cerca de 60 anos, foi substituído por um projeto que prevê uma nova arena com capacidade para 15 mil pessoas, shopping e centro de convenções.
Pelo modelo apresentado pelo candidato, o estádio continuará pertencendo ao município, mas será construído e administrado pela iniciativa privada. A empresa vencedora também deverá entregar um novo centro administrativo à Prefeitura de Mossoró, sem custos diretos de construção para o poder público.
“O estádio será do município, mas será construído e gerido pela iniciativa privada. O grupo vencedor ainda vai construir um centro administrativo para o município entregar, a custo zero para o município, a custo zero para a prefeitura”, afirmou.
Segundo Allyson, o novo prédio permitirá retirar secretarias de imóveis alugados e reduzir as despesas permanentes da Prefeitura. “A prefeitura vai ganhar um centro administrativo novo, vai sair do aluguel de vários prédios. Vai diminuir o custeio, para sobrar mais dinheiro para o investimento”, declarou.
O candidato utilizou o projeto para rebater resistências às concessões. “Qual o problema nisso? Qual o erro nisso? Me diga qual o erro”, questionou.
Redução de burocracia
O candidato relacionou a política de concessões a uma estratégia mais ampla de redução da burocracia. “A gente precisa investir forte em segurança, em saúde, em educação, em boas estradas e a gente precisa trabalhar conjuntamente com a iniciativa privada, sim. Não espere de mim mais trava para o Rio Grande do Norte. Espere de mim um governo destravado”, declarou.
Entre as primeiras medidas anunciadas está a realização de um mutirão no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema). Allyson pretende organizar os processos ambientais acumulados e acelerar a análise dos pedidos de licenciamento apresentados por empresas.
“Nós vamos fazer um grande mutirão para a liberação de alvarás dentro do Idema, para que a nossa política econômica tenha liberdade econômica”, afirmou.
O candidato defendeu a liberação de projetos relacionados à extração de petróleo, gás e minerais, além da construção de resorts, hotéis e empreendimentos de energia eólica e solar. Segundo ele, essas atividades são necessárias para aumentar a base econômica e a arrecadação do Estado.
“Não há como você defender que o Estado do Rio Grande do Norte consiga sair da crise sem você defender que o Idema tem que liberar licença para a extração de petróleo, de gás, construir resort, construir hotéis, extração mineral. O Estado do Rio Grande do Norte tem que viabilizar os projetos de energia eólica e de energia solar”, declarou.
Allyson disse que não utilizará o poder administrativo para criar novas exigências que dificultem a instalação de empresas. “Não contem comigo para estar criando resoluções, portarias, medidas administrativas para travar mais o Rio Grande do Norte. Contem comigo para destravar o Rio Grande do Norte. Contem comigo para fazer boa gestão”, afirmou.
De acordo com o candidato, há processos que não avançam por falhas administrativas e ausência de comando. Ele classificou como “choque de gestão” a revisão dos procedimentos mantidos sem decisão nos órgãos estaduais.
“Você tem um amontoado de papéis, você tem um amontoado de processos que não saem. E tem alguém que está lá em cima, tem alguém que está pisando e tem alguém que está botando dentro da gaveta”, afirmou. “Isso não está saindo? Vamos chegar com choque de gestão e dizer assim: tem que ser liberado, sim. Eu quero empreendimentos acontecendo no Estado”, acrescentou.
Allyson reconheceu que haverá resistência de grupos contrários a determinados projetos, mas disse que o Governo do Estado deverá priorizar a geração de empregos e receitas. “Vai ter aqueles que não querem isso. Vai ter aqueles que acham que isso não é desenvolvimento. Vai ter aqueles que acham que isso pode, de alguma forma, estar prejudicando algum setor do Estado”, declarou.
Ele afirmou que empresas já procuram o Rio Grande do Norte, mas aguardam a conclusão dos licenciamentos. Como exemplo de resultado imediato, mencionou uma estimativa do setor de petróleo e gás.
“O setor de petróleo estima que apenas na liberação da licença para a extração de petróleo e gás no Rio Grande do Norte o Estado arrecadaria, de saída, R$ 200 milhões”, disse. Segundo Allyson, os números são conhecidos pela Fiern e pelas empresas da cadeia produtiva.
Informatização
A política de desburocratização também deverá incluir a digitalização dos processos administrativos. Allyson criticou a necessidade de servidores comparecerem pessoalmente às repartições para solicitar progressões ou documentos e prometeu implantar um governo digital.
“Não é possível que a gente esteja em pleno 2026 e que um servidor, para fazer um pedido de uma progressão, fazer um pedido de algum tipo de documento, tenha que ir a uma repartição pública, sendo que a gente tem tudo hoje on-line”, afirmou.
O candidato disse que a informatização permitirá acompanhar cada etapa dos processos e ampliar a fiscalização. “A maior medida de transparência é a gente conseguir colocar tudo para dentro de um sistema, informatizar, digitalizar e ter rastreabilidade, ter controle, ter fiscalização, ter transparência”, declarou.
Allyson prometeu ainda permitir que os órgãos de controle e a Justiça tenham acesso aos trâmites administrativos e financeiros. Segundo ele, a combinação de concessões, licenciamento mais rápido, digitalização e controle dos gastos será utilizada para recuperar a capacidade de investimento estadual.
“A primeira proposta é a radiografia do Estado, organização das finanças do Estado. Isso será possível tratando bem o recurso público e com desenvolvimento econômico”, concluiu.