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Saúde

Sangue menstrual pode ajudar a detectar HPV, aponta estudo

Pesquisa com mais de 3 mil mulheres registrou sensibilidade de 94,7% para identificar lesões cervicais de alto grau
Por O Correio de Hoje
11/08/2026 | 15:40

Um teste para detectar o papilomavírus humano (HPV) a partir do sangue menstrual coletado em absorventes apresentou desempenho semelhante ao exame convencional em um estudo realizado com mais de 3 mil mulheres na China. A pesquisa, publicada na revista científica BMJ, apontou sensibilidade de 94,7% para identificar lesões cervicais de alto grau, índice próximo ao do teste realizado com coleta feita por profissionais de saúde, que alcançou 92,1%.

Os pesquisadores afirmam que a estratégia pode ampliar o acesso ao rastreamento do câncer do colo do útero, principalmente em locais onde a cobertura dos exames é baixa. O estudo avaliou 3.068 mulheres entre 20 e 54 anos, que realizaram três exames: teste de HPV com sangue menstrual, coleta cervical por profissionais de saúde e Papanicolau.

Ilustração mostra útero, microscópio, medicamentos e elementos relacionados a exames e à saúde ginecológica
Teste de HPV feito com sangue menstrual apresenta desempenho semelhante ao exame convencional - Foto: magnific

O teste com sangue menstrual apresentou praticamente a mesma sensibilidade do exame convencional. A especificidade foi ligeiramente menor, de 89,1%, contra 90% do método tradicional, enquanto o valor preditivo negativo foi de 99,9% nos dois exames.

Apesar dos resultados, a ginecologista Renata Bonaccorso Lamego, do Einstein Hospital Israelita, afirma que o método ainda enfrenta desafios para ser adotado na prática clínica. Segundo ela, o custo dos kits, questões logísticas e o acompanhamento das pacientes com resultado positivo dificultam a substituição do rastreamento convencional.

A especialista ressalta que um resultado positivo para HPV não significa, necessariamente, a presença de lesões ou câncer. Segundo ela, apenas entre 3% e 7% das mulheres com HPV positivo apresentam lesões de alto grau ou câncer de fato.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 19 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028. A doença pode ser prevenida por vacinação contra o HPV e rastreamento adequado, além de apresentar alto potencial de cura quando diagnosticada precocemente.