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China

China reforça manifestação de apoio ao Brasil em reunião na OMC

Pequim defende sistema multilateral de comércio, critica novas tarifas dos Estados Unidos e promete ampliar coordenação com o governo brasileiro
Por O Correio de Hoje
20/07/2026 | 16:56

A China voltou a manifestar apoio ao Brasil diante da nova tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre milhares de produtos brasileiros e reforçou a defesa do sistema multilateral de comércio. Em declaração na última sexta-feira 17, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou que Pequim está disposta a ampliar a coordenação com o governo brasileiro e outros parceiros para preservar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A manifestação ocorre em um momento em que a China consolida sua posição como principal destino das exportações brasileiras, enquanto as vendas aos Estados Unidos acumulam retração de 13% no primeiro semestre deste ano. “A China está pronta para trabalhar com o Brasil e manter a comunicação. Trabalhar com o Brasil e outros países a fim de proteger com firmeza e em conjunto o sistema multilateral de comércio centrado na OMC, para preservar a justiça internacional”, afirmou Lin Jian.

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Pequim critica nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos, defende o sistema multilateral de comércio e amplia aproximação com Brasília - Foto: reprodução / internet

O porta-voz acrescentou que “guerras tarifárias não têm vencedores e não servem aos interesses de nenhuma das partes”. Trata-se da mais recente demonstração de alinhamento entre Pequim e Brasília em temas comerciais. Em 2025, quando Washington aplicou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, a diplomacia chinesa já havia classificado o uso de tarifas como instrumento de pressão política e criticado medidas que representassem interferência nos assuntos internos de outros países.

A aproximação entre Brasil e China se intensificou ao longo dos últimos meses. Durante visita oficial do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim em junho, a defesa da soberania nacional e as críticas ao aumento do protecionismo estiveram entre os principais temas das reuniões bilaterais. Na ocasião, a China anunciou o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa, decisão que removeu barreiras sanitárias para a carne bovina brasileira após mais de duas décadas de restrições.

Apesar do avanço, permanecem limitações relevantes para o setor. O governo chinês manteve a cota preferencial de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira com tarifa reduzida de 12%, volume cerca de 500 mil toneladas inferior ao exportado pelo Brasil no ano anterior. Dados da consultoria StoneX indicam que aproximadamente 98,5% dessa cota já havia sido utilizada até o fim de junho, o que pode levar parte das exportações brasileiras a enfrentar tarifa de 55% quando o limite for ultrapassado.

Os dados comerciais reforçam a crescente dependência brasileira do mercado chinês. Levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) mostra que as exportações para o país asiático alcançaram US$ 58,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior valor da série histórica, representando 31,6% das vendas externas brasileiras. No mesmo período, as exportações para os Estados Unidos recuaram 13%, refletindo o impacto das sucessivas barreiras comerciais impostas por Washington.

A nova tarifa americana, que entra em vigor na próxima semana, incidirá sobre cerca de 18% das exportações brasileiras aos EUA, preservando produtos como carne bovina, café e aeronaves, mas atingindo segmentos industriais, etanol, açúcar, máquinas e diversos bens manufaturados. O governo brasileiro mantém negociações diplomáticas, mas também prepara medidas de resposta com base na Lei da Reciprocidade Econômica e pretende recorrer novamente à OMC caso não haja avanço nas tratativas.