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Ciência

Estudo encontra menos cortisol em mulheres que beberam açúcar e ajuda a explicar a vontade de doce sob estresse

Experimento com 19 participantes durou 12 dias e comparou bebidas com sacarose e com aspartame
Agora RN
01/09/2026 | 16:47

Um dia difícil termina e a vontade de comer chocolate, bolo ou outro alimento doce aparece. Esse comportamento, comum para muitas pessoas, pode ter uma explicação que vai além do simples prazer proporcionado pelo sabor: o açúcar parece interferir na maneira como o organismo responde ao estresse.

Um estudo publicado no The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism encontrou níveis menores de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, entre mulheres que consumiram bebidas adoçadas com açúcar durante um experimento.

Mulher leva à boca um doce com chantili e geleia de frutas vermelhas
Pesquisa investigou a relação entre o consumo de açúcar e a resposta do organismo ao estresse. Foto: Pexels

Os pesquisadores recrutaram 19 mulheres. Durante 12 dias, oito receberam bebidas adoçadas com aspartame, enquanto as demais consumiram as mesmas bebidas, mas com 25% de sacarose.

Antes e depois desse período, os cientistas analisaram o cortisol presente na saliva das participantes. Elas também passaram por exames de ressonância magnética enquanto resolviam testes de aritmética com dificuldade acima de sua capacidade — esse tipo de situação é utilizado experimentalmente para provocar uma resposta de estresse e elevar o cortisol.

Antes da dieta, não foram encontradas diferenças entre os dois grupos nas medições do hormônio. O cenário mudou depois dos 12 dias: as mulheres que haviam consumido sacarose apresentaram níveis menores de cortisol, enquanto aquelas que receberam aspartame registraram níveis mais elevados.

As imagens do cérebro também mostraram diferenças. No grupo que consumiu açúcar, houve maior atividade em regiões relacionadas ao controle do medo e do estresse; entre as participantes que tomaram as bebidas com aspartame, essa atividade foi menor.

Os resultados oferecem uma possível pista para entender por que alimentos doces podem se tornar particularmente atraentes em momentos de tensão. Isso, porém, não transforma o açúcar em uma forma de tratamento para o estresse.

Kevin D. Laugero, um dos autores do estudo e nutricionista do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, alertou contra essa interpretação. Para ele, os resultados apontam principalmente para mecanismos biológicos que ainda precisam ser investigados. “As descobertas são intrigantes, pois sugerem a existência de uma via metabólica sensível ao açúcar fora do cérebro, que pode expor novas áreas de tratamento de doenças neurocomportamentais e relacionadas ao estresse”, afirmou.

A relação entre doces e momentos de tensão pode envolver mais do que hábito ou preferência. A resposta encontrada no cortisol sugere que o organismo percebe o açúcar de uma maneira capaz de interferir nos sistemas relacionados ao estresse — uma conexão que os pesquisadores ainda procuram compreender.

O estudo foi apresentado na edição desta terça-feira 1º do jornal O Correio de Hoje.