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Oncologia

FDA aprova comprimido que quase dobra a sobrevida no câncer de pâncreas metastático

Daraxonrasib chega ao mercado como Rasonque após ensaio em que a sobrevida mediana passou de 6,6 para 13,2 meses
Agora RN
31/08/2026 | 16:07

A agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) aprovou o daraxonrasib, vendido como Rasonque, como nova opção para determinados pacientes com câncer de pâncreas metastático. O medicamento é um comprimido tomado uma vez ao dia que praticamente dobrou a sobrevida mediana desses pacientes em comparação com a quimioterapia convencional.

A decisão é especialmente relevante diante do prognóstico do câncer de pâncreas, considerado um dos tumores com menores taxas de sobrevivência. O novo medicamento não representa uma cura, mas os resultados indicam que pode prolongar a vida de pacientes com poucas alternativas depois que a doença se espalha para outros órgãos.

Cartelas de comprimidos de cores e formatos diferentes dispostas sobre uma superfície
O novo medicamento é administrado por via oral, uma vez ao dia, e atua sobre a proteína RAS. Foto: Pexels

A aprovação foi baseada em um ensaio clínico de fase 3 com cerca de 500 participantes. Entre os pacientes tratados com daraxonrasib, a sobrevida mediana chegou a 13,2 meses; no grupo que recebeu quimioterapia convencional, foi de 6,6 meses. O risco de morte foi aproximadamente 60% menor com o novo tratamento.

A diferença também apareceu no tempo em que a doença permaneceu sem progressão: esse período passou de 3,5 meses entre pacientes submetidos à quimioterapia para 7,3 meses entre aqueles que receberam o comprimido. Outro indicador foi a resposta do próprio tumor — cerca de 31% dos pacientes tratados com daraxonrasib apresentaram redução tumoral, ante 11,2% entre os participantes do grupo controle.

A tolerabilidade também pesou. Apenas 1,2% dos pacientes tratados com o comprimido precisaram interromper o medicamento devido a efeitos colaterais. Entre os que receberam quimioterapia, essa proporção chegou a 11,2%.

Por trás dos resultados está um alvo que durante décadas esteve entre os mais difíceis da oncologia: a proteína RAS. Alterações relacionadas a ela aparecem na maioria dos casos de câncer de pâncreas e podem estimular o crescimento tumoral. O daraxonrasib foi desenvolvido para agir justamente sobre esse mecanismo, e os resultados chamaram a atenção da comunidade médica quando foram apresentados durante a ASCO Annual Meeting 2026.

A aprovação não vale para qualquer paciente com câncer de pâncreas. O tratamento é indicado para adultos com adenocarcinoma pancreático metastático que tenham recebido pelo menos uma terapia anterior ou que não possam utilizar combinações mais intensas de medicamentos. A diferença entre as medianas observadas no estudo foi de 6,6 meses, embora isso não signifique que todos os pacientes viverão esse período adicional — a resposta individual pode variar.

A aprovação pelo FDA ocorreu antes do prazo inicialmente previsto pela própria agência, após uma análise prioritária. Além do efeito imediato para pacientes elegíveis, os resultados aumentam o interesse sobre medicamentos direcionados à proteína RAS, cujas alterações não estão restritas aos tumores pancreáticos e também aparecem em outros tipos de câncer.

No câncer de pâncreas, o impacto já pode ser mais concreto: um medicamento oral, direcionado a um mecanismo molecular do tumor, conseguiu prolongar a sobrevida em comparação com a quimioterapia em pacientes com doença avançada. Não é uma cura, mas representa mais uma alternativa em um cenário no qual as opções ainda são limitadas.

A aprovação foi noticiada na edição desta segunda-feira 31 do jornal O Correio de Hoje.

Os resultados do ensaio clínico foram apresentados em junho, durante o congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (leia mais).