Quando a operação de aumento das mamas se aproxima de uma década, muitas pacientes passam a se perguntar se já chegou o momento de trocar a prótese de silicone. Durante anos, os dez anos funcionaram como uma espécie de prazo de validade informal do implante. Os especialistas, porém, lembram que a data, sozinha, não é o que determina a necessidade de uma nova cirurgia.
Segundo levantamento recente da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (Isaps), entidade internacional que reúne cirurgiões plásticos estéticos, foram feitas no Brasil 232.593 cirurgias de aumento das mamas. Com um volume desses, a dúvida sobre quanto tempo o implante pode permanecer no corpo alcança milhares de mulheres conforme o tempo avança.

Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vida útil média dos implantes fica entre 10 e 15 anos. A estimativa não obriga ninguém a retirar a prótese quando ela completa dez anos. A troca pode ser indicada mais cedo ou mais tarde, a depender das condições do implante e da saúde de cada mulher.
“Dez anos não são uma sentença de troca. O que pesa nessa decisão é a condição do implante, o resultado dos exames e a evolução da mama ao longo do período. O calendário, sozinho, não deve determinar uma nova cirurgia”, diz o cirurgião plástico Alexandre Peruzzo, integrante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
Duas situações estão entre as que costumam justificar a substituição: o rompimento da prótese e a chamada contratura capsular. Nesse segundo caso, a camada de tecido que o organismo produz naturalmente ao redor do implante fica rígida, o que pode alterar a consistência e o formato da mama ou causar desconforto.
A Food and Drug Administration (FDA), a agência que regula medicamentos e dispositivos médicos nos Estados Unidos, também ressalta que implantes mamários não devem ser considerados permanentes. Quanto mais tempo ficam no corpo, maior a chance de a paciente precisar de algum procedimento ligado à prótese ao longo da vida.
Por isso, duas mulheres operadas na mesma época podem ter trajetórias bem diferentes. Enquanto uma completa a década sem qualquer alteração que peça cirurgia, a outra pode enfrentar um problema bem antes. O estado da prótese e o que os exames revelam entram na análise que leva à decisão.
O acompanhamento é importante mesmo para quem não sente nada, porque os implantes de gel de silicone podem se romper de forma silenciosa. Quando isso acontece, a prótese sofre uma alteração que a paciente nem sempre consegue notar logo de início.
Para quem não tem nenhum sintoma, a agência americana FDA recomenda fazer a primeira ultrassonografia ou ressonância magnética para checar a integridade do implante entre cinco e seis anos depois da cirurgia. A partir daí, a orientação é repetir o exame a cada dois ou três anos. O American College of Radiology, entidade americana de radiologia, considera tanto a ultrassonografia quanto a ressonância magnética sem contraste métodos adequados para essa avaliação.
Sentir-se bem, portanto, não dispensa o acompanhamento com o especialista. Exames periódicos permitem verificar o estado da prótese e identificar alterações que passariam despercebidas no dia a dia, antes que se transformem em complicação.
“Para mim, ser minimamente invasivo na mama também significa poupar a paciente de múltiplas cirurgias ao longo do tempo”, afirma Peruzzo. Segundo o cirurgião, o planejamento deve levar em conta as características e a evolução de cada paciente, em vez de marcar uma nova operação só porque certo número de anos foi alcançado.
A marca dos dez anos funciona, assim, mais como lembrete para reforçar o acompanhamento do que como data automática para voltar ao centro cirúrgico. Uma prótese pode precisar ser trocada antes, por causa de uma complicação, ou continuar por mais tempo, quando está íntegra e não há indicação médica de retirada. A decisão é individual e deve ser tomada junto com o médico que acompanha a paciente.
Para as mulheres que convivem com o implante há bastante tempo, o número de anos passa a ser apenas uma parte da resposta. São os resultados dos exames e as mudanças da mama desde a operação que, de fato, mostram se já é preciso ou não fazer uma nova intervenção.