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SUS começa a distribuir em outubro três tratamentos contra o câncer de pulmão que custam mais de R$ 600 mil por ano

Brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe devem beneficiar cerca de 1,9 mil pacientes; parte deles esperava há mais de 12 anos
Agora RN
31/08/2026 | 16:06

Três tratamentos contra o câncer de pulmão que podem custar centenas de milhares de reais por ano na rede privada passarão a ser disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe começarão a ser distribuídos gradualmente a partir de outubro, com previsão de beneficiar cerca de 1,9 mil pacientes.

A chegada dos medicamentos amplia as possibilidades de tratamento de uma doença que exige terapias diferentes conforme o estágio e as características do tumor. Alguns desses tratamentos aguardavam há mais de 12 anos pela disponibilização na rede pública e agora serão financiados pelo Governo Federal por meio da implementação da Assistência Farmacêutica Oncológica.

Profissional de saúde de jaleco, luvas e máscara observa radiografias de tórax contra a luz
Radiografia de tórax: os novos medicamentos atendem pacientes conforme o estágio e as características moleculares do tumor. Foto: Pexels

A incorporação, entretanto, não ocorrerá simultaneamente em todo o País. Segundo o Ministério da Saúde, a oferta será efetivada de acordo com as tratativas de compra junto aos fornecedores e as características operacionais de cada tecnologia.

Dois dos novos medicamentos, brigatinibe e gefitinibe, são administrados por via oral. Eles atuam sobre alterações específicas das células cancerígenas e representam uma abordagem diferente dos esquemas convencionais de quimioterapia. Para pacientes elegíveis, uma das mudanças está na rotina: como são comprimidos, a administração pode ocorrer em casa, evitando a necessidade de comparecer a uma unidade de saúde para receber cada dose.

O acesso pelo SUS também elimina uma barreira financeira difícil de superar para grande parte das famílias. Somados, brigatinibe e gefitinibe podem custar mais de R$ 604,2 mil por ano na rede privada.

O terceiro medicamento funciona de maneira diferente. O durvalumabe é uma imunoterapia, classe de tratamentos que busca estimular ou potencializar a capacidade do próprio sistema imunológico de reconhecer e combater as células cancerígenas. A terapia é indicada para pessoas com câncer de pulmão em estágio III que não podem ser submetidas à cirurgia. Na rede privada, o tratamento com durvalumabe pode ultrapassar R$ 643 mil por ano.

A incorporação das três terapias também mostra como o tratamento do câncer de pulmão vem se tornando mais individualizado. Em determinados pacientes, conhecer as características moleculares do tumor pode ajudar a definir medicamentos direcionados a alterações específicas; em outros casos, a imunoterapia pode ser uma alternativa para mobilizar o sistema imunológico contra a doença.

Isso significa que a chegada dos medicamentos ao SUS não torna todos eles opções para qualquer paciente com câncer de pulmão. A escolha dependerá do tipo de tumor, de suas características e do estágio da doença, além dos critérios clínicos estabelecidos para cada terapia.

Com a distribuição prevista a partir de outubro, cerca de 1,9 mil pessoas deverão passar a ter acesso a essas novas opções pelo sistema público. Para parte delas, a mudança poderá representar não apenas um tratamento diferente, mas o acesso a medicamentos cujo custo anual na rede privada ultrapassa meio milhão de reais.

O calendário de distribuição foi publicado na edição desta segunda-feira 31 do jornal O Correio de Hoje.

Os três medicamentos integram o pacote de 23 terapias de alto custo anunciado pelo Ministério da Saúde em maio (leia mais).