Uma inteligência artificial japonesa consegue apontar hipertensão com 95% de precisão a partir de um vídeo de 30 segundos do rosto e das palmas das mãos — e mantém desempenho de 90,3% mesmo em gravações de apenas cinco segundos. O estudo, da Universidade de Tóquio e do Instituto de Ciências de Tóquio, é apresentado no ESC Congress 2026, o congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia que ocorre até domingo 31 em Munique, na Alemanha, e será publicado no European Heart Journal, segundo o comunicado oficial da entidade.
A tecnologia usa uma câmera espectroscópica de alta velocidade para captar variações de luz na pele imperceptíveis a olho nu. Um algoritmo converte essas variações em informações sobre a onda de pulso e o fluxo sanguíneo — as assinaturas hemodinâmicas associadas à hipertensão e ao diabetes. No estudo prospectivo com 215 participantes, entre pacientes diagnosticados e voluntários saudáveis, a sensibilidade chegou a 89,2% para detectar hipertensão e a 100% para confirmar pressão normal. Para o diabetes, a precisão foi de 88,2% nos vídeos mais longos.

A proposta não é substituir exames, e sim criar triagem sem contato para duas doenças que avançam em silêncio, conforme registrou O Correio de Hoje na edição desta sexta-feira 28. Valores acima de 140/90 mmHg — o conhecido 14 por 9 — caracterizam a hipertensão, que muitas vezes não dá sintomas; o mesmo caráter silencioso vale para o diabetes. Uma ferramenta baseada apenas em câmera poderia, no futuro, rastrear essas condições em ambientes cotidianos e encaminhar quem apresentar sinais de risco para avaliação médica.
Os próprios autores listam as etapas que faltam: testar a ferramenta em populações maiores e mais diversas e reduzir as variações nas estimativas de pressão para atender a critérios clínicos mais rígidos, pontos detalhados na divulgação do estudo. Por ora, apontar a câmera para o rosto não substitui o aparelho de pressão nem os exames de sangue.
O rastreio precoce tem consequências práticas conhecidas da cobertura de saúde do Agora RN: o risco de infarto é maior nas manhãs de segunda-feira, e o estresse crônico mexe com os hormônios e agrava o quadro cardiovascular — cenários em que identificar cedo a pressão alta muda desfechos.