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Estresse Crônico

Estresse crônico afeta hormônios e pode comprometer a saúde

Tensão contínua pode interferir no funcionamento do organismo e está associada a sintomas como fadiga, insônia, alterações de peso e dificuldade de concentração
Por O Correio de Hoje
10/08/2026 | 14:51

A sensação de cansaço constante, o sono que não recupera as energias e a irritabilidade fora do comum podem ir além de uma rotina intensa. Esses sinais também podem estar relacionados ao estresse crônico, estado de tensão contínua que interfere no funcionamento do organismo.

Segundo a médica endocrinologista Dra. Jacy Alves, o estresse prolongado influencia diretamente o equilíbrio hormonal e pode comprometer diferentes sistemas do corpo. A especialista abordou os efeitos fisiológicos do estresse na edição de abril da revista científica do CPAH (Centro de Pesquisa e Análises Heráclito).

Mulher sentada leva as mãos à cabeça e mantém os olhos fechados, demonstrando tensão
Tensão prolongada pode interferir nos hormônios, no metabolismo e na saúde mental - Foto: magnific

“O estresse crônico desregula os eixos hormonais, principalmente o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, afetando desde a imunidade até a produção de neurotransmissores essenciais como a serotonina e a dopamina.”

Quando o estresse deixa de ser pontual e passa a fazer parte da rotina, os impactos podem aparecer em diferentes áreas da saúde. Entre os sintomas mais comuns estão insônia, fadiga, alterações de peso, problemas gastrointestinais, dores de cabeça recorrentes e queda de cabelo.

De acordo com a endocrinologista, o estresse contínuo também pode interferir no metabolismo e na função da tireoide.

“O estresse contínuo interfere na sensibilidade à insulina, o que pode favorecer o desenvolvimento de diabetes tipo 2. Existe também impacto direto na função tireoidiana, podendo tanto suprimir quanto exacerbar sua atividade, dependendo da predisposição do indivíduo.”

Um dos principais hormônios envolvidos nesse processo é o cortisol, liberado pelo organismo em situações de estresse. Quando permanece elevado por longos períodos, pode prejudicar o sono, alterar o metabolismo, reduzir a libido e afetar memória e concentração.

“Quando o estresse se prolonga, o corpo entra em um estado de alerta constante que prejudica a regulação hormonal e afeta a produção de neurotransmissores que controlam humor, apetite e energia. Esse desequilíbrio contribui diretamente para quadros de ansiedade e depressão”, explica Dra. Jacy Alves.

A especialista ressalta que a saúde mental e a saúde hormonal estão relacionadas e devem ser consideradas de forma integrada no acompanhamento dos pacientes. Segundo ela, reconhecer os sinais precocemente e buscar apoio pode ajudar a evitar o agravamento das alterações provocadas pelo estresse.

“Reconhecer os sinais cedo e buscar apoio são atitudes que podem evitar o agravamento de disfunções hormonais causadas por estresse. Isso inclui desde a prática de atividade física regular até o acompanhamento psicológico.”

O controle do estresse envolve mudanças no estilo de vida, atenção aos limites do corpo e cuidados contínuos, e não apenas momentos isolados de relaxamento. Para a endocrinologista, a prevenção tem papel importante na promoção de uma vida saudável.

“Quando falamos em longevidade saudável, estamos falando de escolhas diárias. O estresse precisa ser tratado como uma questão de saúde pública, porque ele é”, afirma.