O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou no domingo 30 que o Brasil tem poucas pessoas presas e prometeu criar cerca de 500 mil vagas no sistema penitenciário em quatro anos. A declaração foi dada depois de uma reunião em São Paulo com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro.
O senador disse que pretende adotar medidas inspiradas na política de segurança do presidente salvadorenho Nayib Bukele, com ampliação dos presídios, endurecimento da legislação penal e maior isolamento dos detentos. No fim de 2025, o Brasil tinha 964.074 pessoas encarceradas, segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) — número 6% superior ao de 2024.

“Tem pouco preso no Brasil, tinha que ser mais, só não tem mais porque a legislação é frouxa, então por isso nós vamos criar mais meio milhão de vagas em presídios, para que ladrão de celular que comece com pena de no mínimo oito anos de cadeia fique preso, não apenas seja preso, mas fique preso. Nós vamos investir muito em tecnologia para que eles fiquem de fato incomunicáveis”, declarou.
Questionado pelo jornal O Globo sobre a influência das facções dentro das penitenciárias, Flávio afirmou que pretende endurecer as leis, extinguir as saídas temporárias e impedir que os presídios funcionem como locais de recrutamento de criminosos. “A legislação vai mudar, os presídios vão deixar de ser escolas do crime e vão ser exemplo”, disse.
Além das 500 mil vagas, o programa do candidato prevê cinco penitenciárias de segurança máxima em um complexo chamado “Treva”. Flávio estima que a expansão custará entre R$ 35 bilhões e R$ 40 bilhões em quatro anos. Segundo ele, os recursos viriam da redução da burocracia e dos impostos, da exploração de petróleo na Margem Equatorial e da atração de investimentos.
O encontro com Villatoro durou cerca de uma hora, em um hotel da capital paulista. O senador ouviu relatos sobre a experiência salvadorenha no combate às facções e sobre o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), presídio de segurança máxima criado pelo governo Bukele. Partes da conversa foram gravadas e devem ser usadas na propaganda eleitoral do candidato.
A política de segurança de El Salvador é criticada por organizações internacionais de direitos humanos, que relatam torturas, prisões arbitrárias e mortes no sistema carcerário. Flávio não comentou as denúncias durante a entrevista. O país centro-americano tem cerca de 6 milhões de habitantes e área menor que a do estado de São Paulo — ainda assim, o candidato declarou ser possível “acabar com as facções criminosas no Brasil”.
Participaram também da reunião Sergio Moro (PL), candidato ao Governo do Paraná; André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), candidatos ao Senado por São Paulo; e Gil Diniz (PL), candidato a deputado federal. Moro afirmou que pretende construir um presídio de segurança máxima no Paraná batizado em homenagem a El Salvador. Villatoro não deu entrevista, por orientação diplomática de seu país em razão do período eleitoral.
As declarações foram publicadas na edição desta segunda-feira 31 do jornal O Correio de Hoje.