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Eleições 2026

TSE manda tirar do ar propaganda de Lula que apresentava “currículo” de Flávio Bolsonaro

Ministra Estela Aranha viu acusações graves sem fundamentação mínima; PL tem 24 horas para enviar texto do direito de resposta
Agora RN
31/08/2026 | 15:48

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou no domingo 30 a suspensão de uma propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL). A peça reunia acusações contra o candidato do PL no formato de um suposto currículo.

Com o título “Conheça o currículo de Flávio Bolsonaro”, o material afirmava que o senador foi “funcionário fantasma” e “denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da rachadinha”. A peça também dizia que ele homenageou “o líder do maior grupo de matadores de aluguel do Rio de Janeiro” e foi “flagrado pela Polícia Federal pedindo 134 milhões no escândalo do Banco Master”.

Reprodução de peça de propaganda eleitoral com texto simulando um currículo de Flávio Bolsonaro
Peça da campanha de Lula apresentava suposto "currículo" de Flávio Bolsonaro com referências a escândalos — Foto: PT/Reprodução

A decisão atendeu a pedido de Flávio, que apontou a divulgação de “informações sabidamente inverídicas e gravemente descontextualizadas a seu respeito”. Para a ministra, o conteúdo ultrapassou os limites da crítica eleitoral.

“As publicações não se restringem à manifestação de opinião ou ao debate público acerca de posições políticas, mas constroem narrativa que imputa ao candidato envolvimento com organizações criminosas, mediante técnica de associação indireta e encadeamento de fatos, sem indicação de qualquer dado concreto, investigação formal ou imputação jurídica que ampare as alegações”, afirmou Estela Aranha na decisão.

A ministra ressaltou que a jurisprudência do TSE não permite, sob o argumento da liberdade de expressão, a divulgação de acusações graves sem fundamentação factual mínima. Segundo ela, a desinformação eleitoral não se resume à “mentira integralmente fabricada”, pois “a distorção também pode decorrer da maneira pela qual uma informação é apresentada”.

A campanha de Lula está proibida de voltar a divulgar a propaganda, e a medida ainda será submetida ao plenário do TSE. Flávio também pediu direito de resposta: a ministra determinou que o PL apresente, em 24 horas, o texto que pretende veicular. Depois disso, a campanha petista poderá se defender e a Procuradoria-Geral Eleitoral emitirá parecer antes da análise do pedido.

Em decisão separada nesta segunda-feira 31, a mesma ministra suspendeu outra propaganda da campanha petista, que apresentava Flávio como “funcionário fantasma”, segundo publicou o jornal O Correio de Hoje na edição desta segunda-feira 31.

As duas campanhas estrearam suas propagandas no rádio e na TV na sexta-feira 28 (leia mais).