Uma forma de diabetes ligada à desnutrição e que pode ter passado anos escondida sob diagnósticos de diabetes tipo 1 ou 2 começará a ser rastreada no Brasil. A busca pela chamada diabetes tipo 5 terá como ponto de partida as regiões Norte e Nordeste, onde há maior ocorrência de desnutrição e insegurança alimentar.
A iniciativa ocorre após a Federação Internacional de Diabetes (IDF) reconhecer a doença, em abril do ano passado, incorporando-a a uma classificação formal. O objetivo agora é identificar pacientes, dimensionar a presença da condição no País e evitar tratamentos inadequados.

A dimensão do problema ainda é desconhecida. O cenário é de subnotificação, e uma das razões apontadas é justamente a possibilidade de pacientes terem sido diagnosticados como portadores dos tipos 1 ou 2.
A classificação errada pode levar a um tratamento incompatível com as características da doença e aumentar o risco de complicações como retinopatia, neuropatia e doença renal.
A nova plataforma de rastreamento será construída a partir de estudos realizados no Brasil pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A iniciativa reúne a IDF, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Fiocruz.
O rastreamento foi apresentado na edição desta terça-feira 1º do jornal O Correio de Hoje.