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Opinião

Violência contra mulher exige prioridade real

Levantamento Datafolha mostra que mais de 80% da população acredita que problema aumentou no último ano; maioria defende ensino de igualdade de gênero nas escolas
Por O Correio de Hoje
03/06/2026 | 15:44

A violência contra a mulher é considerada o crime mais grave do país por 60% dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha realizada em parceria com a organização Movimento Mulher 360. O índice supera a preocupação com o tráfico de drogas, citado por 16% dos entrevistados, e com o assalto à mão armada, mencionado por 10%.

O levantamento mostra diferenças na percepção entre homens e mulheres. Entre as mulheres, 73% apontam a violência de gênero como o principal problema criminal do país. Entre os homens, o percentual é de 49%.

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A pesquisa também indica que a maioria da população percebe agravamento do problema. Mais de 80% dos entrevistados, independentemente do sexo, afirmaram que a violência contra a mulher aumentou no último ano.

Os dados mostram ainda elevado conhecimento da legislação relacionada ao tema. A Lei Maria da Penha é conhecida por 97% dos homens e mulheres entrevistados. A Lei do Feminicídio foi citada por 87% das mulheres e 85% dos homens, enquanto a Lei da Importunação Sexual alcançou 80% de reconhecimento entre ambos os grupos.

Apesar disso, apenas 34% das mulheres consideram que a Lei Maria da Penha contribuiu de forma significativa para a punição dos casos de violência.

A confiança nas instituições de proteção aparece como um dos pontos de atenção do estudo. Apenas 19% das mulheres disseram confiar muito na polícia para protegê-las. Entre os homens, esse percentual chega a 31%.

Entre as mulheres que sofreram agressão grave nos últimos 12 meses, 51% procuraram ajuda por meio de delegacias especializadas, delegacias comuns, dos canais 190 e 180 ou por atendimento policial on-line.

O levantamento também identificou amplo apoio à inclusão de conteúdos sobre igualdade de gênero no ambiente escolar. Quase 90% dos entrevistados defendem que o tema seja abordado nas escolas. A maioria concorda que crianças e adolescentes devem aprender a identificar situações de violência doméstica, discutir respeito mútuo e compreender a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

A pesquisa aponta ainda a persistência de comportamentos que não são reconhecidos como formas de violência por parte da população. Para 63% dos homens e 50% das mulheres, não configura violência o marido exigir acesso às senhas das redes sociais da esposa e às suas conversas. Já 72% dos homens e 53% das mulheres não consideram violência o namorado exigir que a companheira troque de roupa antes de sair, sob a justificativa de que ela não seria respeitada na rua.

Segundo Margareth Goldenberg, diretora executiva do Movimento Mulher 360, a violência de gênero frequentemente começa com formas de controle e intimidação que acabam sendo naturalizadas socialmente.

“A população relativiza comportamentos que sustentam a violência de gênero. Raramente o crime começa com uma agressão física”, afirmou.