O desembargador eleitoral Daniel Mariz Maia, membro do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), afirmou que as urnas eletrônicas são seguras e não oferecem risco à legitimidade dos resultados das eleições. Em sua avaliação, o debate sobre uma possível vulnerabilidade do sistema de votação está superado.
“Eu acho que esse tema está ultrapassado”, declarou. O magistrado fundamentou a avaliação na experiência acumulada dentro da Justiça Eleitoral e na participação direta em procedimentos de fiscalização dos equipamentos usados nas votações.

Daniel registrou que integrou, entre 2022 e 2024, uma comissão responsável pela auditoria das urnas eletrônicas. Ele também destacou que atua no Tribunal Regional Eleitoral desde 2019 e, por isso, acompanha internamente as diferentes etapas de preparação e realização dos pleitos.
“Eu posso atestar ao cidadão que nos escuta que as urnas são hígidas”, afirmou.
O desembargador reforçou que não identificou elementos capazes de colocar em dúvida o funcionamento do sistema eletrônico. “Eu posso ter certeza de que não comprometem absolutamente as eleições. São confiáveis”, declarou.
O tema ganhou destaque nos últimos anos após os ataques dirigidos à Justiça Eleitoral e ao sistema de votação, especialmente durante a campanha de 2022. Questionamentos voltaram a aparecer no atual processo eleitoral, inclusive em manifestações relacionadas a empresas que prestam serviços ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para Daniel, a repetição das dúvidas sobre as urnas ocorre dentro da estratégia política dos grupos envolvidos na disputa. “Claro, são guerras de narrativas que fazem parte do embate eleitoral, do embate político”, disse.
O magistrado citou ainda uma manifestação do presidente do TSE, ministro Nunes Marques, em defesa dos equipamentos. “O próprio ministro Nunes Marques falou semana passada, defendendo a higidez e a confiabilidade das urnas eletrônicas”, afirmou.
Na avaliação de Daniel, novas acusações podem surgir ao longo da campanha, mas isso não altera as conclusões técnicas sobre a segurança do sistema. “Por mais que esse tema repercuta e mais uma vez apareça no âmbito eleitoral, isso fica no âmbito da política”, declarou.
O desembargador também elogiou a estrutura técnica mobilizada para organizar as eleições no Rio Grande do Norte. Ele enfatizou que o trabalho dos servidores da Justiça Eleitoral é permanente e envolve a preparação antecipada de todas as etapas do pleito. “É um trabalho de competência máxima. A gente tem lá setores onde eles são responsáveis por isso”, disse.
Daniel acrescentou que o TRE-RN poderá contar com o apoio do Exército Brasileiro caso sejam registradas denúncias, tumultos ou outras situações que exijam reforço operacional. “Se necessário for, [temos] o apoio total do Exército Brasileiro. Se houver alguma denúncia ou se houver qualquer tipo de estranhamento ou confusão, a gente está apto e disponível para resolver isso aí”, afirmou.
Apesar da polarização política e dos desafios provocados pela desinformação, o integrante do TRE-RN demonstrou confiança na realização do pleito. “Eu acho que essa eleição vai passar da forma mais tranquila possível. Oxalá que seja assim. Vamos rezar que seja assim”, concluiu.
Advogado eleitoral, Daniel Maia integra o TRE-RN na classe de jurista. Seu mandato está previsto para acabar em novembro deste ano, e ele pode ser reconduzido ao cargo por mais dois anos. Em julho deste ano, o TRE-RN aprovou a Resolução nº 185/2026 — o texto determina que, a partir de agora, os membros do Pleno são denominados “desembargadores eleitorais”, mesmo que não sejam desembargadores de origem.