O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) afirmou que a engorda de Ponta Negra teve falhas graves em sua execução, principalmente no aspecto da drenagem. Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-prefeito de Mossoró disse que não é contra a ampliação da faixa de areia, mas criticou a forma como a obra foi conduzida durante a gestão do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL).
Allyson afirmou que Ponta Negra, principal cartão-postal turístico do Estado, passou a aparecer nacionalmente por causa de alagamentos, lama e questionamentos ambientais. Segundo ele, o problema não está na concepção da engorda, mas na sequência de decisões tomadas antes e durante a execução da intervenção.

“Como engenheiro civil que sou e como cidadão potiguar, eu digo isso com muita tristeza, porque o problema nunca foi a engorda da faixa de areia. A engorda da praia é importante sim, e eu a defendo. O problema foi a forma irresponsável como fizeram”, declarou.
Na fala, Allyson citou o custo superior a R$ 100 milhões e disse que a obra avançou sem a solução adequada da drenagem. Para ele, esse deveria ter sido um ponto anterior à colocação da areia. “Drenagem não é detalhe. Numa obra como essa, é o básico da engenharia. Antes de colocar areia, você precisa resolver para onde a água vai”, afirmou.
O pré-candidato também relacionou as críticas a questionamentos feitos por órgãos de controle. Ele ressaltou que o Ministério Público Federal (MPF) passou a cobrar obras emergenciais e a reestruturação do sistema de drenagem de Ponta Negra após episódios de alagamento na área da engorda. O órgão apontou problemas como tubulações sem função, galerias bloqueadas, ineficiência de dissipadores e risco de agravamento da erosão no entorno do Morro do Careca.
Allyson mencionou esse ponto ao afirmar que a perícia encontrou “drenagem falsa”. Segundo ele, a existência de tubulações sem função, galerias bloqueadas e acúmulo de água na areia mostra a gravidade da situação. “Não se engana a natureza e, principalmente, não se engana o povo. Se não resolve, a natureza vai e cobra”, disse.
A fala ocorre após novos debates sobre o comportamento da areia usada na obra. Relatório da Funpec apontou redução de 39,27% no volume de areia emersa entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. O trecho do Morro do Careca teve a maior redução proporcional, com 51,87%. A Via Costeira registrou queda de 49,74%, e a área central de Ponta Negra, de 21,21%. O estudo ressalta, porém, que a análise considerou apenas a faixa acima da linha d’água e que levantamentos topobatimétricos são necessários para indicar se o material foi perdido ou redistribuído para áreas submersas.
A Prefeitura do Natal sustenta que 94% da areia usada na engorda permanece na área de intervenção. A secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, afirmou que parte do material que deixou a faixa seca foi redistribuída para a região central da praia e para a área submersa usada por banhistas. Segundo ela, a perda efetiva seria de 6%, percentual já previsto nos estudos ambientais, e não há necessidade imediata de reposição de areia no Morro do Careca.
Allyson também citou o Tribunal de Contas da União (TCU), que abriu auditoria para apurar a execução da obra. Segundo ele, o TCU apontou questionamentos sobre estudos técnicos, licenciamento e processo de contratação. O pré-candidato mencionou ainda o episódio da draga que, de acordo com sua fala, chegou a Natal, ficou parada e foi embora sem operar, gerando custos ao município.
Na parte final do vídeo, Allyson afirmou que, caso seja eleito governador, pretende atuar em conjunto com a Prefeitura de Natal, universidades, órgãos ambientais e técnicos para buscar uma solução para os problemas registrados em Ponta Negra. Segundo ele, a intervenção precisa ser tratada com engenharia, transparência e responsabilidade. “Ponta Negra merece respeito. Natal merece respeito. E o Rio Grande do Norte merece voltar a sentir orgulho do que é nosso, do nosso patrimônio natural”, afirmou.