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Artigo

Cidade de 15 minutos

Leia o artigo de Bruno Araújo desta sexta-feira 26
Bruno Araújo
26/07/2024 | 05:15

De uma vila de pescadores a uma das cidades mais importantes do mundo. La Ville Lumière, a Cidade das Luzes, que agora vive sua Olímpiada particular para ser “vivida em 15 minutos”, amparada pelo conceito do arquiteto franco-colombiano Carlos Moreno. O expoente lar de diversos iluministas, contudo, não deseja simplórios 15 minutos de fama na timeline das redes sociais, mas sim, uma urbe voltada a promover o bem-estar de quem nela vive.

Os desafios parisienses permanecem em diversos aspectos, como a pouco gloriosa batalha contra os ratos às margens do rio Sena. Ainda assim, a mentalidade e a vontade de mudar o cenário são invejáveis. Porque não imaginar que a “Cidade do Sol”, a querida Natal não possa pleitear também a tal luz oferecida a cidade europeia, associando-se aos movimentos que tentar fazer de ambas um lar melhor.

Uma cidade de 15 minutos, é uma cidade em que uma ampla gama de investimentos públicos em transporte, sustentabilidade e novas políticas para fortalecer a governança nas comunidades permite que as questões necessárias à vida do cidadão se resolvam a pé, de bicicleta ou por meio do transporte público.

É a possibilidade de o cidadão, em um raio de 15 minutos de deslocamento, alcançar os serviços públicos básicos, o trabalho, o lazer. Os mal-humorados dirão que é impossível. É perseguir o Sol. Para aqueles que não simpatizam com a luz, pode ser de fato um incômodo. Contudo, o próprio movimento na direção do objetivo tira de imediato a cidade da inércia e a coloca no trajeto do progresso e do desenvolvimento.

Aos frios e desejos por números, também há argumentos mais do que fortes para impulsionar o engajamento. Dados de uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que 8% da população gasta mais de 3 horas se locomovendo para realizar atividades de rotina, como trabalho e estudo. A capital potiguar sequer estar entre os 10 piores trânsitos do país, de acordo com o Traffic Index 2023, divulgado pela Tom Tom, empresa especializada em soluções de GPS e navegação.

Mas isso não significa que o “tempo perdido” não alcance a vida de empreendedores, trabalhadores e estudantes, especialmente aqueles que residem em áreas de conurbação, como Parnamirim, e o traslado entre a zona Norte de Natal e as demais regiões da cidade. O prejuízo econômico em razão da mobilidade (ou falta dela) pode ficar entre 3% e 4% do PIB da cidade. Ou seja, ao considerar o PIB de Natal em cerca R$ 24 bilhões, temos um prejuízo próximo de mais de R$ 1,1 bilhão.

Razões não faltam pela defesa uníssona por uma cidade de 15 minutos. É mais cômoda para quem vive, mas barata, tem um ar mais puro, uma economia que se constrói e fortalece no aspecto local. Diria até que é mais humana. Permite viver mais a luz e a poesia, e não há lugar melhor que a Cidade do Sol para viver assim.

Bruno Araújo é jornalista, escritor e especialista em Comunicação Pública

Paris, cidade francesa que sedia as Olimpíadas de 2024 / Foto: Terrence Chua
Paris, cidade francesa que sedia as Olimpíadas de 2024 / Foto: Terrence Chua