Quarta-feira passada, dia 22 de maio, me deparei com Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr, advogado e conselheiro do Instituto Millenium, no Espaço Aberto do jornal O Estado de São Paulo, com o artigo “Onde está a nossa Elite?”. E Paixão Jr. abre o artigo assim: “O Brasil é frágil, extremamente frágil. Assim o é, porque a nossa elite é tímida, assimétrica e descomprometida com o seu indelegável papel nas lógicas do poder.”
Fiquei pensando com os meus botões sobre a nossa elite tupiniquim, do Rio Grande do Norte em geral, e de Natal em particular. E quando falo “elite” não me refiro aos endinheirados, mas às elites universitárias, religiosas, empresariais, sindicais, culturais, educacionais e os intelectuais conterrâneos. O que fazem as nossas elites por Natal e pelo Rio Grande do Norte? Por que permanecemos tão firmes no atraso?

No artigo do Estadão, Paixão Jr. nos lembra do atraso secular de gerações inteiras de brasileiros. A nossa querida Natal e o nosso paquidérmico estado vivem passivamente, como um elefante se banhando nas águas de um rio parado, sem correnteza. O nosso rio nunca foi grande e esteve sempre encravado nas terras do atraso. Até quando? O que flui nas águas dos rios que correm em nosso estado, que não permite que eles banhem de fertilidade e frutifiquem o solo potiguar em bonança? Por que os homens e mulheres que navegam nas águas de nossos rios não têm sido capazes de liderar este elefante, construir e seguir caminhos que nos levem a todos para um estado de oportunidades e desenvolvimento?
Entrevam ano e saem ano, entram governos e saem governos, e vivemos a frustração de uma expectativa de desenvolvimento, de crescimento, de civilidade, que nunca aportam neste Rio Grande do Norte. Grita-se aos quatro cantos as belezas de Natal e do litoral do RN, das riquezas minerais, da fruticultura, do petróleo, do pescado, da energia eólica, enfim, os pulmões cheios transbordam os gogós ufanistas de uma riqueza que vive solta nas palavras aos ventos.
É evidente que políticos e partidos têm sua cota nesse “status quo” do atraso, afinal, há décadas que a mesmice, o lugar comum, a falta de ousadia e a ausência de visão histórica se instalaram por aqui. É triste lembrar que foi lá em 1960 que um governante, Aluísio Alves, enxergando o futuro, instalou as bases da infraestrutura para o estado caminhar rumo ao desenvolvimento. Depois, o governador Cortez Pereira, na década de 1970 procurou avançar no desenvolvimento econômico do estado. Ações pontuais de dois governadores que se perderam no tempo do milênio passado.
À primeira vista, o mais fácil é jogar a culpa nos ombros dos políticos, dos governantes públicos, e esquecer as responsabilidades de cada um. E a nossa elite? Onde se escondem os nossos líderes universitários, religiosos, empresariais, sindicais, educacionais, culturais, enfim, aqueles que compõem a elite pensante de Natal e do Rio Grande do Norte? Vamos continuar responsabilizando o nosso atraso apenas à política e aos políticos? Parafraseando Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr, estará nossa elite tupiniquim tímida, assimétrica e descomprometida com o seu indelegável papel nas lógicas do poder?