O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como vergonhosa a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e afirmou que o adversário derrotado na eleição presidencial deve ter “culpa na consciência”. As declarações foram dadas nesta terça-feira 27, durante a comemoração do aniversário de 81 anos do presidente, no Palácio da Alvorada, em Brasília.
Lula disse que havia acabado de receber informações sobre a viagem e que ainda não conhecia os detalhes. Ao comentar o caso, comparou a situação com sua permanência no Brasil após derrotas eleitorais e durante as investigações das quais foi alvo.

O presidente lembrou que continuou no país depois de perder eleições para os ex-presidentes Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Também citou os ex-candidatos à Presidência Geraldo Alckmin e José Serra, que permaneceram no Brasil após serem derrotados por ele.
“Fico imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as eleições e foge do seu país”, declarou.
Lula afirmou que, quando foi acusado, recebeu convites para deixar o Brasil ou buscar abrigo em uma embaixada, mas decidiu permanecer no país e se apresentar à Polícia Federal. “Quem não deve não teme”, disse.
O presidente também acusou Flávio de mentir e de desrespeitar os eleitores. “Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso”, afirmou.
As declarações ocorreram após notícias de que Flávio havia deixado o país com destino aos Estados Unidos. O senador estava proibido de sair do Brasil por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e não apresentou os passaportes à Polícia Federal dentro do prazo, encerrado às 11h desta terça-feira.
O Departamento de Estado americano informou que concederá vistos a Flávio e à família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos. A manifestação não esclareceu se o parlamentar já estava em território americano.
A ordem de retenção dos documentos foi expedida no processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas do advogado e plataformas de apostas. Os dois negam sociedade e irregularidades.
Ao solicitar a medida, a PF apontou risco de fuga e citou a capacidade financeira do senador, estruturas de apoio no exterior e uma declaração do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro recomendando que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota eleitoral.
Flávio também é investigado em outro inquérito sobre possíveis crimes relacionados ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na segunda-feira 26, o senador havia afirmado que cumpriria a determinação judicial e que não pretendia deixar o país.