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Varejo

Comércio potiguar supera média nacional e tem alta de 3% nas vendas

Vendas do varejo potiguar avançaram entre janeiro e agosto, acima da média nacional de 1,7%, mas queda de 4,4% no último mês interrompeu sequência de 16 resultados positivos
Agora RN
16/10/2026 | 23:47

O comércio varejista do Rio Grande do Norte acumulou crescimento de 3% entre janeiro e agosto de 2026, impulsionado principalmente pelas vendas de supermercados e combustíveis. O resultado superou a média nacional de 1,7% e colocou o Estado na quarta posição entre os melhores desempenhos do Nordeste. Os dados constam de análise do Instituto Fecomércio RN (IFC), elaborada com base na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira 15 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A expansão foi sustentada pelo desempenho registrado nos primeiros quatro meses do ano, quando o comércio apresentou maior ritmo de crescimento. Apesar da perda de força nos meses seguintes, o volume de vendas acumulado até agosto permaneceu acima do registrado no mesmo intervalo de 2025, já descontados os efeitos da inflação. No ano passado, o varejo potiguar havia apresentado crescimento de 3,1% entre janeiro e agosto, percentual próximo ao observado em 2026.

Produtos e balcões de alimentos em supermercado
Balcões de alimentos em supermercado; varejo do RN cresceu 3% entre janeiro e agosto — Foto: José Aldenir

O resultado mostra a participação de segmentos ligados ao consumo cotidiano das famílias na manutenção das vendas. Supermercados, produtos alimentícios e combustíveis contribuíram para compensar o desempenho mais fraco de atividades dependentes de financiamento. A diferença entre os setores também aparece na comparação mensal, em um cenário de crédito mais caro e restrições ao consumo de bens de maior valor.

Para o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Fernandes de Queiroz, a manutenção do crescimento acumulado não elimina a necessidade de acompanhar a desaceleração da atividade. “O comércio potiguar mantém um resultado positivo no ano, com a contribuição de segmentos que fazem parte do cotidiano das famílias, como supermercados e combustíveis. Ao mesmo tempo, a desaceleração exige atenção. Precisamos de condições de crédito que favoreçam o consumo responsável e permitam aos empresários planejar seus investimentos com mais segurança”, afirma.

Em agosto, o volume de vendas do varejo estadual recuou 4,4% em relação ao mesmo mês de 2025. A retração foi influenciada principalmente pelos resultados negativos dos segmentos de móveis e eletrodomésticos e de equipamentos para escritório, informática e comunicação. Essas atividades dependem mais das condições de crédito, o que amplia sua exposição aos juros elevados e às dificuldades de financiamento enfrentadas pelos consumidores.

A queda interrompeu uma sequência de 16 meses consecutivos de crescimento na comparação anual. O Instituto Fecomércio RN observa, entretanto, que agosto de 2025 havia registrado expansão de 7,2%, estabelecendo uma base elevada para a comparação. Dessa forma, parte da retração observada neste ano está relacionada ao desempenho do comércio no mesmo período anterior, embora os resultados também indiquem perda de ritmo nas vendas.

No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motocicletas e peças, materiais de construção e atacado especializado em alimentos e bebidas, a redução foi menor. O indicador recuou 2,4% em agosto, na comparação com igual mês de 2025, enquanto o acumulado de janeiro a agosto permaneceu positivo em 2%. Segundo o IFC, as vendas de veículos e do atacado de alimentos ajudaram a reduzir a intensidade da queda.

A avaliação da entidade é de que o comércio potiguar deverá encerrar 2026 com crescimento, apesar da desaceleração observada nos últimos meses. A continuidade desse desempenho dependerá das condições de consumo, do acesso ao crédito e da capacidade dos segmentos mais afetados de recuperar o volume de vendas.

Crédito caro freia vendas e afeta varejo

No Rio Grande do Norte, a trajetória recente evidencia a redução do ritmo de expansão. Até julho, o comércio varejista acumulava crescimento de 4,2%, mais que o dobro da média brasileira de 1,8% naquele intervalo. Com a incorporação dos resultados de agosto, a alta acumulada recuou para 3%. A mudança ocorreu principalmente pela retração nas vendas de bens duráveis, enquanto supermercados e combustíveis continuam sustentando o resultado positivo do ano.

O mercado de trabalho, por sua vez, apresentou resultado positivo. Segundo levantamento do Instituto Fecomércio RN com base no Novo Caged, comércio e serviços responderam por 92,4% do saldo de empregos formais do Estado entre janeiro e agosto. Os dois setores criaram 6.142 vagas, das quais 1.032 foram abertas pelo comércio. Atacarejos responderam por 373 novos postos, seguidos pela venda de veículos novos, com 230, e pelo varejo de telefonia, com 198.