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Agronegócio

Agricultura regenerativa ganha espaço em debate sobre fruticultura do RN

Seminário realizado durante a Festa do Boi 2026 apresentou alternativas para reduzir desperdícios, aproveitar resíduos orgânicos e melhorar a fertilidade do solo nas propriedades rurais
Agora RN
16/10/2026 | 23:51

O uso de resíduos orgânicos na produção de fertilizantes naturais, a recuperação da qualidade do solo e a redução dos custos de produção estiveram entre os temas discutidos no Seminário de Fruticultura, realizado na quinta-feira 15, durante a Festa do Boi 2026, em Parnamirim, na Grande Natal.

As palestras, promovidas no palco Juntos pelo Agro, da Agência Sebrae, abordaram a aplicação da agricultura regenerativa e de bioinsumos produzidos nas próprias propriedades rurais como alternativas para ampliar a eficiência da atividade agrícola no Rio Grande do Norte.

Palestrante apresenta materiais agrícolas durante seminário
Agrônomo Michel Cosme apresenta materiais que podem ser aproveitados como bioinsumos — Foto: Luana Tayze/Sebrae-RN

O engenheiro agrônomo Michel Ângelo M. Cosme, sócio-diretor da Frutan, apresentou possibilidades de aproveitamento de materiais que normalmente seriam descartados nas fazendas. Entre os exemplos estão frutas sem condições de comercialização, esterco bovino e leite que perdeu o valor comercial.

Segundo o especialista, esses resíduos podem ser utilizados na produção de bioinsumos capazes de favorecer a atividade de microrganismos no solo e contribuir para o desenvolvimento das plantas. “O solo está intoxicado, as plantas estão intoxicadas, então a gente quer fazer uma planta mais saudável, mais produtiva e mais longeva. O pessoal, aproveitando essa informação, vai avançar muito na agricultura aqui no estado”, afirmou.

Durante a apresentação, Michel Ângelo também abordou o emprego de extratos vegetais no manejo de pragas e doenças. Foram citadas plantas como jurema-preta, melão-de-são-caetano, pata-de-vaca e mamona, além de preparações com vinagre caseiro e extrato pirolenhoso.

A utilização desses produtos exige avaliação técnica sobre dosagem, finalidade e condições de aplicação, para evitar danos às culturas e riscos ao trabalhador. A proposta apresentada no seminário é ampliar o aproveitamento dos recursos disponíveis nas propriedades, reduzir desperdícios e diminuir a dependência de insumos adquiridos fora das unidades produtivas.

Na sequência, o engenheiro agrônomo Rodrigo Fernandes Benjamim, diretor da Hortvida, discutiu o uso de biocaldas na fruticultura regenerativa. O especialista explicou que a aplicação inadequada de fertilizantes químicos pode elevar a salinidade e alterar a estrutura do solo, dificultando a absorção de nutrientes pelas plantas.

Nessas condições, o produtor pode aumentar a quantidade de adubos utilizados sem obter ganhos proporcionais de produtividade, o que pressiona os custos da atividade. Como alternativa, Rodrigo defendeu práticas voltadas à recuperação da atividade biológica do solo, incluindo o papel das minhocas na decomposição da matéria orgânica e na disponibilização de nutrientes.

A abordagem regenerativa apresentada no encontro propõe uma mudança na forma de conduzir a adubação, com atenção não apenas às necessidades imediatas das plantas, mas também às condições físicas, químicas e biológicas do solo. Nesse modelo, o manejo busca criar um ambiente favorável ao desenvolvimento das culturas ao longo dos ciclos produtivos. Para os produtores de frutas do Rio Grande do Norte, as práticas discutidas representam possibilidades de melhorar o aproveitamento de materiais disponíveis nas propriedades e controlar despesas, desde que adotadas com acompanhamento técnico e de acordo com as características de cada cultivo.