A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Faern) apresentou nesta quinta-feira 15 uma agenda de propostas para a agropecuária potiguar no período de 2027 a 2030, durante encontro realizado durante a Festa do Boi, em Parnamirim. O documento foi entregue ao candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União), que defendeu a ampliação da assistência técnica, do crédito e do acesso à água para os produtores. Os dois concorrentes no segundo turno foram convidados, mas Cadu de Lula (PT) não compareceu.
Realizado no Centro de Treinamento do Senar, no Parque Aristófanes Fernandes, o encontro colocou em discussão as condições necessárias para fortalecer a produção rural e orientar as políticas estaduais nos próximos quatro anos. A publicação “Propostas para a Agropecuária Potiguar 2027–2030” reúne diagnósticos, prioridades e recomendações construídas a partir da escuta de produtores, empresários, sindicatos e representantes de diferentes atividades econômicas.

O presidente do Sistema Faern/ Senar, José Vieira, explicou que o material resulta do Rally do Agro Potiguar 2026, iniciativa que percorreu diferentes regiões para identificar dificuldades e oportunidades. Segundo ele, o levantamento envolveu mais de 280 entrevistas. “A Federação da Agricultura, de 4 em 4 anos, faz um trabalho de levantamento, de diagnóstico do potencial dos gargalos que nós temos no setor agropecuário do Rio Grande do Norte”, afirmou, em entrevista ao AGORA RN.
Vieira destacou que a consulta alcançou diferentes segmentos da produção, permitindo reunir informações sobre problemas enfrentados tanto dentro das propriedades quanto nas etapas de beneficiamento e comercialização. O trabalho incluiu conversas “com as agroindústrias, produtores, associações e sindicatos, para entender, de fato, quais são os gargalos e as dificuldades, e como podemos resolver”, declarou.
A expectativa da entidade é que as propostas sejam incorporadas ao planejamento estadual, independentemente do resultado da eleição. “Esperamos que o candidato que ganhar as eleições possa ter esse documento como norteador das suas políticas públicas”, disse Vieira. O dirigente classificou o material como um diagnóstico completo, com informações atualizadas sobre a realidade da agropecuária potiguar.

Agenda para os próximos quatro anos
O documento contempla questões que afetam transversalmente o setor, como infraestrutura, acesso à água, crédito, assistência técnica, qualificação profissional, inovação e comercialização. Também apresenta agendas específicas para 12 cadeias produtivas, abrangendo produção vegetal e agroindustrial, pecuária e outras atividades de produção animal, aquicultura, pesca e economia do mar.
A proposta é oferecer subsídios técnicos para decisões do poder público e para a construção de parcerias com instituições e representantes do setor produtivo. A Faern também pretende utilizar o levantamento como referência para acompanhar as discussões e as ações da futura gestão, buscando transformar as demandas identificadas em medidas concretas para o campo.
José Vieira reafirmou a disposição da Federação para colaborar com o próximo governador. “Independentemente do governador que esteja sentado na cadeira, nós queremos melhorar, contribuir para fazer com que as pessoas do interior, os nossos produtores rurais, melhorem sua renda e continuem produzindo no nosso Rio Grande do Norte”, afirmou.
A iniciativa foi organizada com caráter institucional e apartidário. A programação previa momentos individuais para os candidatos, preservando a igualdade de tratamento. Com a ausência de Cadu, apenas Allyson participou da apresentação e recebeu o documento no encontro.
Assistência técnica e segurança
Ao apresentar seus compromissos, Allyson relacionou a prioridade que pretende dar ao setor à própria origem familiar. “Eu venho da agricultura familiar, da zona rural e, até hoje, estão lá os meus avós, meus tios, pessoas que vivem da agricultura, da criação de animais”, declarou. O candidato afirmou que a agropecuária e a pesca terão relevância em uma eventual administração.
Como referência, citou a experiência na Prefeitura de Mossoró (2021-2026). Segundo ele, o orçamento destinado ao setor passou de R$ 2 milhões para R$ 27 milhões em menos de cinco anos. Allyson atribuiu a ampliação à decisão de priorizar a produção rural e afirmou que pretende levar essa orientação para o governo estadual.
O candidato defendeu a combinação de serviços públicos e instrumentos de financiamento para permitir que as famílias permaneçam produzindo. “Para isso, tem que ter segurança, crédito, apoio, assistência técnica”, afirmou. A segurança rural foi apontada como uma das áreas que receberiam atenção.
Na assistência técnica, mencionou um programa municipal de acompanhamento dos pequenos produtores e relatou o caso de um agricultor que comercializava melão apenas em Mossoró e passou a exportar para a Europa. O exemplo foi utilizado para defender apoio à produtividade e à ampliação dos mercados, com o objetivo de aumentar a renda das famílias.
Água, poços e crédito
Questionado sobre o aproveitamento dos grandes reservatórios para irrigação, Allyson defendeu a integração das estruturas hídricas. “As bacias que reúnem o maior volume de água do Estado não podem trabalhar sozinhas”, complementou.
O candidato também prometeu buscar parceria com o Governo Federal para ampliar os resultados da transposição do Rio São Francisco no território potiguar. Entre as medidas anunciadas, incluiu a perfuração de 1 mil poços durante o governo e a instalação de dessalinizadores.
Allyson associou o abastecimento à possibilidade de transformar as condições econômicas das comunidades. “Eu não quero o homem do campo dependente toda a vida do governo. Eu quero que ele tenha a condição de crescer, de avançar e se tornar independente. Essa é a minha visão de vida”, declarou.
Sobre crédito, foi questionado a respeito das fontes de recursos e respondeu que pretende recorrer a mecanismos de financiamento nacionais e externos. “O que eu posso garantir é que todo produtor rural, o menor que seja, vai ter crédito sim”, afirmou.
Ao encerrar, reiterou que o apoio à produção deverá reunir financiamento, assistência e infraestrutura hídrica. “Profundas mudanças faremos no Rio Grande do Norte para melhorar a vida do povo e garantir que o homem e a mulher do campo tenham assistência, crédito, apoio, água”, disse.
O deputado federal reeleito Benes Leocádio (União) e o candidato a vice-governador Hermano Morais (MDB) também estavam presentes na agenda.