A guerra entre Estados Unidos e Irã entrou nesta terça-feira (21) no décimo dia consecutivo de confrontos, com intensificação das operações militares, novos ataques a bases americanas no Oriente Médio e aumento das preocupações sobre os impactos do conflito no mercado internacional de petróleo.
Em meio ao agravamento das hostilidades, o Pentágono informou que cerca de 100 militares americanos sofreram algum tipo de ferimento desde a retomada da ofensiva, em 7 de julho.

Segundo o principal porta-voz da Defesa dos Estados Unidos, Sean Parnell, 96% dos militares já retornaram às atividades e a maior parte dos casos envolve concussões leves. A divulgação ocorreu após questionamentos da imprensa americana sobre a transparência das informações relacionadas às baixas do conflito.
O anúncio acontece em um momento de crescente desgaste político para o governo de Donald Trump. Reportagem do New York Times apontou que autoridades militares teriam retardado a divulgação do número de feridos e omitido detalhes sobre o impacto da guerra nos estoques de armamentos dos Estados Unidos e na capacidade militar iraniana.
O Pentágono nega qualquer tentativa de ocultação de dados e afirma que continuará atualizando os registros oficiais.
Novos ataques no Oriente Médio
Enquanto isso, os confrontos seguem em expansão. O Comando Central americano confirmou uma décima noite consecutiva de bombardeios contra instalações militares iranianas, incluindo centros de comando, sistemas de defesa aérea, lançadores de mísseis e estruturas ligadas a drones.
No campo de batalha, o Irã ampliou a ofensiva contra interesses americanos e de seus aliados na região.
A Guarda Revolucionária anunciou a apreensão de dois navios-petroleiros no Estreito de Ormuz e afirmou ter atacado radares e sistemas de defesa aérea em Bahrein, Jordânia e Kuwait.
Também foram registrados novos ataques contra embarcações próximas à costa de Omã e bombardeios que afetaram instalações de infraestrutura em países do Golfo.
Segundo autoridades iranianas, ao menos 50 pessoas morreram desde o colapso do cessar-fogo, enquanto Washington contabiliza 17 militares mortos desde o início da guerra, em fevereiro.
O presidente Donald Trump voltou a prometer uma resposta militar “muitas vezes maior” para cada baixa americana. Teerã, por sua vez, afirmou preparar novas ondas de ataques com drones e mísseis.
Impacto no mercado de petróleo
O principal reflexo econômico permanece concentrado no mercado de energia.
A redução do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz — corredor por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente — aumenta as preocupações sobre a oferta global da commodity.
Dados de empresas de monitoramento marítimo apontam forte queda na circulação de navios. Enquanto isso, os rebeldes Houthis, aliados do Irã no Iêmen, anunciaram novas ameaças às rotas do Mar Vermelho, ampliando o risco também para o Canal de Suez.
O avanço das tensões mantém um prêmio de risco sobre os preços internacionais do petróleo, enquanto investidores acompanham as tentativas diplomáticas conduzidas por Paquistão e Catar para restabelecer um cessar-fogo entre Washington e Teerã, ainda sem sinais concretos de avanço.