BUSCAR
BUSCAR
Mundo

Reino Unido quer toque de recolher em redes sociais

Plano prevê bloqueio opcional entre meia-noite e 6h para adolescentes de 16 e 17 anos e integra pacote de proteção digital que ainda depende de aprovação do Parlamento
Por O Correio de Hoje
20/07/2026 | 18:15

O governo do Reino Unido anunciou um pacote de medidas para reduzir o tempo de permanência de adolescentes nas redes sociais. Entre as propostas está a criação de um “toque de recolher” opcional de seis horas para usuários de 16 e 17 anos, com bloqueio de acesso às plataformas entre meia-noite e 6h. A iniciativa faz parte de uma política mais ampla de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e ainda precisará ser aprovada pelo Parlamento para entrar em vigor.

Além da limitação de horário, o governo pretende determinar que recursos capazes de prolongar o uso contínuo das plataformas, como a reprodução automática de vídeos, sejam desativados por padrão para adolescentes dessa faixa etária.

Celular Rede Sociais (5)
Governo propõe bloqueio opcional das redes sociais entre 0h e 6h para adolescentes - Foto: josé aldenir

As novas medidas foram anunciadas cerca de um mês após o governo britânico divulgar um plano para proibir o acesso às redes sociais por menores de 16 anos a partir de março de 2027. A restrição deverá atingir plataformas como Snapchat, TikTok, YouTube, Instagram, Facebook e X, mas não incluirá aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Signal.

O pacote representa uma das últimas iniciativas do governo do primeiro-ministro Keir Starmer na área de segurança digital. Mesmo com a possibilidade de mudança no comando do governo, a expectativa é que o provável sucessor, Andy Burnham, mantenha a proposta.

O ministro da Segurança Online, Kanishka Narayan, afirmou que as medidas se baseiam em evidências obtidas em um programa-piloto realizado com mais de 300 adolescentes e seus pais em diferentes regiões do país. Segundo ele, o teste apontou redução significativa no uso das redes sociais durante a noite, além de melhora na qualidade do sono e na concentração dos participantes.

“Em outubro, por exemplo, algumas plataformas introduziram essas configurações padrão — mais de 90% dos adolescentes nos disseram que também mantiveram essas configurações padrão”, disse à Sky News. “Portanto, as evidências são claras, a motivação é muito clara e eu não faria um desserviço aos adolescentes dizendo que todos eles vão desativar os aplicativos.”

A proposta, porém, enfrenta críticas da oposição. A porta-voz do Partido Conservador para a área da educação, Laura Trott, afirmou que o modelo não resolverá o problema.

“Ou eles acham que jovens de 16 e 17 anos devem usar redes sociais ou não, mas impor toques de recolher que eles podem simplesmente desligar não vai resolver nada”, declarou.

Entidades ligadas à proteção da infância avaliam que as mudanças representam um avanço, mas defendem medidas mais amplas. Para a NSPCC, principal organização beneficente voltada à proteção de crianças no Reino Unido, as restrições poderão melhorar a experiência dos adolescentes nas plataformas, mas não eliminam os mecanismos que incentivam o uso excessivo.

“A menos que sejam acompanhadas de medidas adicionais e mais rigorosas, serão apenas um paliativo que não resolve os problemas de design viciantes que impulsionam o elevado tempo de uso das telas”, afirmou Chris Sherwood, diretor-executivo da instituição.

A comissária para a Infância da Inglaterra, Rachel de Souza, também manifestou apoio à proposta e classificou a iniciativa como um “passo positivo”. Segundo ela, muitos adolescentes desejam reduzir o tempo gasto nas redes sociais, mas relatam dificuldades para controlar o próprio uso.