O grupo rebelde Houthi anunciou nesta segunda-feira 20 a imposição de um embargo marítimo contra a Arábia Saudita, ampliando as tensões no Oriente Médio em um momento de intensificação do conflito entre Irã e Estados Unidos. Em comunicado em vídeo, o porta-voz militar Yahya Saree afirmou que a medida entrou em vigor imediatamente e foi adotada em resposta ao bloqueio saudita de portos e aeroportos controlados pelos houthis, além do ataque ao aeroporto de Sanaa ocorrido na semana passada.
Segundo ele, “responderemos ao bloqueio com um bloqueio”, e qualquer nova escalada por parte de Riad será enfrentada com uma resposta “abrangente e decisiva”.

A decisão interrompe um período de relativa estabilidade na frente de conflito entre houthis e Arábia Saudita, adversários desde o início da guerra civil iemenita, em 2014. O governo reconhecido internacionalmente, apoiado militarmente por Riad, acusa os rebeldes de receberem apoio do Irã, integrante do chamado “Eixo da Resistência”.
Na última semana, o governo iemenita informou ter bombardeado o aeroporto de Sanaa para impedir a chegada de uma delegação iraniana ligada ao grupo. Os houthis atribuíram a ofensiva à Arábia Saudita e responderam com ataques de mísseis contra o aeroporto de Abha, no sul do território saudita.
Risco para o comércio de petróleo
A nova ameaça eleva os riscos para o comércio internacional de petróleo ao abrir a possibilidade de interrupções no estreito de Bab-el-Mandeb, corredor marítimo que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e constitui uma das principais rotas do transporte global de mercadorias.
A região ganhou ainda mais importância após as restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, afetado pela guerra entre Irã e Estados Unidos. Nos últimos meses, os houthis já haviam promovido ataques contra embarcações comerciais no Mar Vermelho, afetando rotas em direção ao Canal de Suez e obrigando empresas de navegação a rever itinerários e elevar custos logísticos.
Guerra entre Irã e EUA amplia tensão
O agravamento da crise ocorre enquanto Washington e Teerã mantêm ataques militares pelo nono dia consecutivo. O governo iraniano classificou o confronto como uma “guerra em grande escala”, embora tenha confirmado o recebimento de novas propostas de mediação apresentadas por países como Catar e Paquistão.
Entre as alternativas discutidas estaria um cessar-fogo temporário de dez dias para retomar as negociações interrompidas nas últimas semanas. Apesar dos contatos diplomáticos, autoridades iranianas afirmam que não pretendem voltar à mesa de negociações enquanto o país continuar sob ataques, mantendo elevado o grau de incerteza para a segurança regional e para os mercados internacionais de energia.