O Rio Grande do Norte aparece como o Estado brasileiro que mais reduziu as exportações para os Estados Unidos entre as unidades da Federação atingidas pela nova tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo de Donald Trump. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que, no primeiro semestre de 2026, as vendas potiguares para o mercado americano recuaram 72% em relação ao mesmo período do ano passado.
No período, o Estado exportou R$ 27 milhões em produtos sujeitos à sobretaxa, volume equivalente a 4,2% das exportações totais do RN. O resultado reforça o impacto antecipado das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos desde 2025 sobre a indústria brasileira.

Segundo a CNI, o novo aumento tarifário amplia um cenário que já vinha pressionando o comércio bilateral. “Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 Estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Alban.
De acordo com a confederação, as exportações brasileiras para os EUA caíram 13% desde o início das medidas tarifárias, o equivalente a US$ 2,6 bilhões, com retração de 8,7% nas vendas de bens industriais. O levantamento mostra que o Rio Grande do Norte lidera a lista das maiores quedas percentuais entre os Estados exportadores. Atrás do RN aparecem Alagoas (-64,9%), Acre (-62,8%), Tocantins (-52,1%), Amapá (-41,2%), Ceará (-36,9%), Sergipe (-35,9%), Pernambuco (-33,4%), Roraima (-33,7%), Santa Catarina (-32,9%), Paraná (-32,9%) e Pará (-31,4%).
Em valores absolutos, São Paulo continua sendo o principal exportador para os Estados Unidos, com R$ 6 bilhões embarcados entre janeiro e junho, seguido por Rio de Janeiro (R$ 2,9 bilhões), Minas Gerais (R$ 1,9 bilhão) e Espírito Santo (R$ 1,4 bilhão). Entre os poucos Estados que ampliaram as vendas ao mercado americano estão Rondônia (+49,1%), Goiás (+42,1%), Distrito Federal (+34,2%), Mato Grosso (+25,8%), Rio de Janeiro (+15,4%), Mato Grosso do Sul (+13,7%) e Paraíba (+5,9%).
Na avaliação da CNI, a nova sobretaxa tende a aprofundar as dificuldades enfrentadas pela indústria nacional e elevar a insegurança para empresas brasileiras e americanas. A entidade defende a continuidade das negociações diplomáticas para preservar a relação comercial entre os dois países, que permanece estratégica para a indústria de transformação brasileira.
Apesar da retração recente, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações da indústria de transformação do Brasil. Para os Estados mais dependentes desse mercado, como o Rio Grande do Norte, o agravamento das barreiras comerciais representa um risco adicional para investimentos, geração de empregos e competitividade das cadeias exportadoras.