Andy Burnham foi confirmado na sexta-feira 17 como novo líder do Partido Trabalhista britânico, etapa final antes de assumir oficialmente o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido na próxima segunda-feira 20. A posse ocorrerá após a renúncia formal de Keir Starmer ao rei Charles III, conforme prevê o sistema parlamentarista britânico, no qual o líder da legenda que detém maioria na Câmara dos Comuns é convidado pelo monarca a formar governo. Aos 56 anos, Burnham chega ao comando do país após conquistar cerca de 95% do apoio da bancada trabalhista, o que inviabilizou o surgimento de adversários na disputa interna.
Conhecido como “Rei do Norte” pela atuação à frente da prefeitura da Grande Manchester, Burnham afirmou que pretende recolocar as regiões fora de Londres no centro das políticas públicas e recuperar o apoio de eleitores que migraram para o partido populista Reform UK, liderado por Nigel Farage. “Todos ouviram o chamado do povo de Makerfield, em nome dos lugares esquecidos de todo este país, de norte a sul, por um retorno ao Partido Trabalhista que um dia conheceram. E agora respondemos a esse chamado. Voltaremos a ser essa versão do Partido Trabalhista. Vamos devolver a esperança a eles”, afirmou durante conferência especial da legenda. Em seu discurso, o novo líder também prestou homenagem a Starmer, atribuindo ao antecessor a recuperação eleitoral que levou os trabalhistas de uma derrota histórica ao governo.

Burnham assume o governo em um momento de desaceleração econômica, pressão sobre as contas públicas e crescimento do Reform UK nas pesquisas de intenção de voto. Entre as prioridades anunciadas estão a descentralização administrativa, com maior transferência de competências e recursos para governos locais, a reindustrialização, a ampliação do controle público sobre setores considerados estratégicos e políticas voltadas à elevação do padrão de vida. O trabalhista também pretende instalar uma unidade permanente do gabinete do primeiro-ministro em Manchester, simbolizando a proposta de redistribuir poder político e econômico para além de Westminster. Analistas avaliam, entretanto, que o espaço fiscal limitado poderá restringir a implementação de parte dessas promessas nos primeiros anos de governo.
Na segunda-feira 20, Burnham será recebido pelo rei Charles III no Palácio de Buckingham para a tradicional audiência conhecida como kissing hands, rito constitucional que formaliza o convite para formar governo. Em seguida, seguirá para o número 10 de Downing Street, onde fará seu primeiro pronunciamento como primeiro-ministro e iniciará a composição do novo gabinete. O desafio imediato será transformar em ações concretas a agenda apresentada durante a campanha interna e responder às expectativas de um eleitorado que cobra crescimento econômico, redução das desigualdades regionais e maior eficiência dos serviços públicos antes das próximas eleições gerais, previstas para ocorrer até 2029.