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Donald Trump

Trump volta a dizer que a eleição de 2020 teve fraude

Presidente dos EUA anuncia novas investigações sobre a eleição de 2020, volta a defender mudanças nas regras de votação e mantém foco nas eleições legislativas de novembro
Por O Correio de Hoje
20/07/2026 | 16:52

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral americano ao dedicar um pronunciamento em horário nobre na Casa Branca à eleição presidencial de 2020 e às próximas eleições legislativas, marcadas para novembro. Em um discurso marcado por acusações de conspiração, fraude e atuação do chamado deep state (“Estado profundo”), Trump afirmou que novas evidências justificam a reabertura das investigações sobre sua derrota para Joe Biden, embora não tenha apresentado provas de que o resultado do pleito tenha sido alterado.

Ao mesmo tempo, anunciou que determinou ao FBI e a outras agências federais que ampliem as apurações sobre supostas interferências eleitorais e voltou a defender mudanças na legislação, como a exigência de prova de cidadania para registro de eleitores e documento oficial com foto para votação.

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Trump volta a questionar a integridade do sistema eleitoral, anuncia novas investigações e amplia tensão no país - Foto: reprodução / internet

A nova ofensiva ocorre em um momento de desgaste político do presidente e de crescimento da preocupação entre republicanos com as eleições legislativas de novembro. Pesquisas recentes apontam queda na aprovação de Trump, enquanto o Partido Republicano enfrenta o risco de perder cadeiras no Congresso.

Em levantamento Washington Post-Ipsos, apenas 37% dos americanos aprovam o desempenho do presidente. Ainda assim, a narrativa sobre uma suposta fraude eleitoral continua mobilizando sua base política. Pesquisa Economist-YouGov mostrou que metade dos eleitores republicanos acredita que a eleição de 2020 foi fraudada. Entre os simpatizantes do movimento Make America Great Again (MAGA), esse percentual sobe para 66%, enquanto apenas 23% dos independentes compartilham dessa percepção.

Durante o pronunciamento, Trump citou repetidamente a eleição de 2020, que perdeu para Biden, mas evitou questionar a legitimidade das disputas de 2016 e de 2024, ambas vencidas por ele. O presidente afirmou que interesses internos e externos atuaram para impedir sua reeleição há seis anos e sugeriu que novas interferências podem ocorrer nas eleições deste ano.

Também voltou a acusar a China de tentar influenciar o processo eleitoral, embora as agências de inteligência americanas tenham concluído anteriormente que Pequim teve atuação limitada em 2020. Em contrapartida, investigações oficiais apontaram que a Rússia conduziu uma ampla campanha de influência em favor de Trump durante a eleição de 2016.

Analistas avaliam que a retomada desse discurso atende tanto a objetivos políticos quanto pessoais. Para Trevor Potter, ex-presidente da Comissão Eleitoral Federal indicado por republicanos, Trump permanece “obcecado” em reverter a narrativa de sua derrota. Já Pippa Norris, professora da Universidade Harvard e fundadora do Projeto de Integridade Eleitoral, observa que lançar dúvidas sobre o sistema de votação é uma estratégia recorrente entre líderes populistas quando enfrentam queda de popularidade ou risco de derrota eleitoral. Aliados do presidente, por outro lado, afirmam que ele busca corrigir supostas irregularidades e evitar que novas fraudes ocorram. Christopher Ruddy, diretor-presidente da Newsmax Media e próximo de Trump, afirmou que o presidente acredita ter sido prejudicado em 2020 e pretende obter reconhecimento dessa suposta injustiça, além de fortalecer mecanismos de segurança eleitoral.

A reabertura do debate também evidencia mudanças no entorno político de Trump em seu segundo mandato. Diferentemente do primeiro governo, quando integrantes como o então procurador-geral William Barr rejeitavam publicamente as alegações de fraude, a atual equipe é formada majoritariamente por aliados que evitam confrontar o presidente.

Durante sabatinas no Senado, indicados ao governo passaram a responder de forma cuidadosa quando questionados sobre quem venceu a eleição de 2020, afirmando apenas que Joe Biden foi “certificado” como presidente, sem declarar explicitamente que venceu o pleito. Com menos de quatro meses para as eleições legislativas, o discurso presidencial reforça a polarização política e mantém no centro do debate um tema que continua dividindo a sociedade americana, enquanto o Congresso demonstra pouca disposição para aprovar as mudanças eleitorais defendidas pela Casa Branca.