O relator da indicação de Cristiano Zanin no Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), leu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quinta-feira, 15, o parecer favorável pela admissão do nome do advogado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). No texto, o senador discorre sobre o currículo do indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comenta cada área de atuação do advogado e classifica o conteúdo como “valiosas experiências”.
“Atenho-me a considerar a indicação do Dr. Cristiano Zanin a partir de sua gênese acadêmica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde se bacharelou no ano de 1999, e daí determinou-se a consolidar sua vocação na advocacia, não sem antes ter experimentado, como estagiário do Ministério Público Paulista e no Poder Judiciário de São Paulo, vivências que lhe imprimiram valiosas experiências”, disse Veneziano no documento.
Advogado Cristiano Zanin indicado pelo presidente Lula (PT) para a vaga do ministro Ricardo Lewandowski - Foto: Ricardo Stuckert
O texto também evidência que a “versatilidade e abrangência nos diversos ramos do Direito” garantiu a Zanin “gozar do reconhecimento profissional” tanto por advogados quanto por membros do Poder Judiciário e do Ministério Público. Além disso, o relator classifica como “sólida e vigorosa” a atuação do advogado.
A sabatina de Zanin será na próxima quarta-feira, 21, na CCJ do Senado. Desde que a data foi divulgada, o advogado começou uma corrida para desfazer eventuais resistências ao nome dele e costurar apoios. Na última semana, participou de diversas conversas com representantes da bancada evangélica e realizou o ritual de “beija-mão” dos parlamentares.

Zanin e o Senado
Até o momento, Zanin já conquistou o apoio da bancada do MDB, composta por dez senadores, e de parte da bancada do PSD, com 12 parlamentares favoráveis. Como mostrou o Estadão, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente da CCJ do Senado, vê a aprovação do advogado de Lula como “favas contadas”, ou seja, já é dada como certa.
Para assumir a cadeira no STF, Zanin passará por dois processos de votação. O primeiro é na CCJ, onde deve conquistar votos favoráveis da maioria dos parlamentares presentes. No plenário do Senado, o advogado deve obter ao menos 41 votos a seu favor.
Zanin conversou na terça 13 com mais de 20 senadores, incluindo a bancada feminina e o PSD. Um dos gabinetes visitados foi o do senador Hiran Gonçalves (PP-RR), que é próximo ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
Nos últimos dias, Zanin pediu voto a diferentes nomes da oposição, como o líder do Republicanos, senador Mecias de Jesus (RR). Os dois se encontraram por acaso na sede da Advocacia-Geral da União e combinaram de conversar novamente antes da sabatina.
Zanin também buscou na semana passada o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL). A reportagem apurou que o advogado marcou de se encontrar com o senador oposicionista Esperidião Amin (PP-SC).
Indicado pelo presidente Lula para a vaga do ministro Ricardo Lewandowski —que se aposentou em abril—, Zanin precisa do voto de no mínimo 41 dos 81 senadores. A votação é secreta. Zanin será sabatinado pela CCJ do Senado na próxima quarta-feira 21. O nome será submetido ao plenário no mesmo dia, segundo Pacheco.

Sabatina no Senado
O advogado Cristiano Zanin será sabatinado pelo Senado para o STF (Supremo Tribunal Federal) na próxima quarta-feira, dia 21 de junho. A data foi anunciada nesta segunda-feira 12 pelos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Davi Alcolumbre (União-AP).
Nomeado pelo presidente Lula (PT) para ocupar o posto do ministro Ricardo Lewandowski, Zanin requer o apoio de, no mínimo, 41 dos 81 senadores. Antes de ter sua indicação apresentada ao plenário, o advogado passará por uma entrevista na CCJ da Casa. A deliberação ocorrerá de forma confidencial.
Natália Santos – Estadão Conteúdo
