A safra 2026/2027 de cebola em Baraúna deve ter redução da área plantada, segundo pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligada à Universidade de São Paulo (USP). A previsão inicial era de que os plantios começassem em maio. A decisão dos produtores é influenciada pelos prejuízos acumulados e pela limitação dos recursos hídricos. O novo ciclo começou, portanto, sob maior cautela na aplicação de capital.
A escassez de água tornou-se uma das principais preocupações para a atividade na região. O volume de chuvas ficou abaixo do esperado desde 2025, comprometendo os reservatórios utilizados na irrigação. Na tentativa de encontrar novas fontes, produtores ampliaram a perfuração de poços. A medida elevou os custos antes mesmo do início da nova colheita.

O resultado da safra 2025/2026 também limitou os investimentos no ciclo atual. As colheitas começaram em meados de agosto de 2025, perderam ritmo no fim do ano e tiveram uma etapa complementar em janeiro. A produção foi considerada satisfatória, com bulbos de boa qualidade durante a maior parte da temporada. Os preços, entretanto, permaneceram abaixo dos custos em quase todo o período.
As cotações apresentaram alguma recuperação no início de 2026 devido à menor oferta no Nordeste e ao custo elevado do frete da cebola produzida no Sul. Mesmo assim, o avanço não compensou as perdas acumuladas pelos agricultores de Baraúna. Este ano, a saca de 20 quilos da amarela híbrida foi negociada por R$ 43,33, em média. O valor representou queda de 3,7% em relação ao levantamento anterior do Cepea.