A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) e a candidata ao Senado Samanda de Lula (PT) estão entre os nomes identificados em um levantamento nacional sobre a possibilidade de a eleição de 2026 estabelecer um recorde de mulheres eleitas para a Casa. Divulgado nesta sexta-feira 11, o estudo coloca as duas representantes do Rio Grande do Norte em categorias distintas: Zenaide aparece entre as favoritas, enquanto Samanda integra o grupo de candidaturas consideradas competitivas.
O trabalho é do cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Murilo Medeiros e foi apresentado em reportagem de O Globo. A análise utiliza as rodadas mais recentes de pesquisas estaduais da Quaest. As categorias adotadas consideram a posição numérica das candidatas nos levantamentos, sem representar garantia de eleição.

Zenaide busca renovar o mandato e figura no conjunto de 15 mulheres classificadas como favoritas. Na organização política apresentada pela reportagem, a senadora potiguar aparece entre as candidaturas situadas fora dos dois campos principais, o lulista e o bolsonarista.
Samanda está entre outras 14 candidatas apontadas como competitivas. A reportagem a inclui no grupo de mulheres da esquerda que disputam o Senado e são consideradas eleitoralmente relevantes para a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa classificação política é distinta da divisão entre favoritas e competitivas utilizada nas tabelas do estudo.
O panorama reúne, portanto, 29 candidaturas femininas distribuídas pelas cinco regiões brasileiras. Segundo Medeiros, a presença de mulheres com condições de disputar as cadeiras alcança partidos de diferentes orientações e passou a fazer parte das estratégias eleitorais tanto da esquerda quanto do centro e da direita.
Na avaliação do cientista político, o fortalecimento institucional do Senado na última década contribuiu para os partidos destinarem nomes de maior expressão à disputa. Ele também identifica uma mudança no espaço ocupado pelas mulheres, antes frequentemente lembradas para a suplência e agora apresentadas como titulares das candidaturas.
A doutora em Ciência Política pela UnB Marcela Machado ressalta que o crescimento da representação feminina não implica uniformidade de posições. Para ela, candidatas de campos partidários diferentes podem ampliar a presença de mulheres no Congresso sem compartilhar as mesmas prioridades ou propostas.
O recorde absoluto de senadoras eleitas em uma única eleição é de oito, registrado em 2002 e repetido em 2010. Na comparação proporcional, a maior marca ocorreu em 2014, quando mulheres conquistaram cinco das 27 vagas disponíveis, equivalentes a 18,5%.
Neste ano, estarão em disputa 54 cadeiras, duas por estado e pelo Distrito Federal. A eleição de dez mulheres igualaria a proporção de 2014 e ultrapassaria o recorde absoluto. A definição das vagas ocorrerá na votação de outubro.