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Economia

RN contribui com 6,3% da receita bruta de revenda do Nordeste, afirma IBGE

Levantamento do Instituto também afirmou que Nordeste paga os salários mais baixos do Brasil; diferença chega a 30% em relação à região Sudeste
Redação
19/08/2022 | 07:44

De acordo com a Pesquisa Anual de Comércio (PAC), divulgada na quarta 17 pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), o Rio Grande do Norte ficou em quarto lugar entre os estados que menos contribuíram com a receita bruta de revenda na região Nordeste em 2020. O índice potiguar é de 6,3%, superior apenas ao Piauí (5,8%), Alagoas (4,7%) e Sergipe (3,4%). O Nordeste, atualmente, está em terceiro entre as regiões do país, com 14,7% da receita bruta de revenda nacional, atrás das regiões Sul (20,9%) e Sudeste (49,4%) – que pela primeira vez ficou abaixo de 50%. Média salarial entre as regiões Nordeste, a que menos paga, e a Sudeste, que tem melhores remunerações, é de 30%.

Segundo o estudo, todos os estados do Nordeste – com exceção do Maranhão – operaram majoritariamente no comércio varejista; o estado maranhense teve como destaque o comércio atacadista. O levantamento apontou que a posição geográfica, privilegiada para o escoamento de produção por meio do complexo portuário do estado, foi um dos fatores que influenciaram neste destaque.

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Comércio varejista foi destaque na região Nordeste, exceto estado do Maranhão, cujo destaque foi no atacado (Foto: Edinaldo Morais/Roraima em Tempo)

Em 2020, apesar de a Região Nordeste compor 17,0% da mão-de-obra nas empresas comerciais brasileiras, participou apenas com 12,7% do total de salários, retiradas e outras remunerações do País. A prevalência de salários mais baixos pode ser corroborada pela análise da remuneração média mensal, mensurada em salários mínimos. Em média, as empresas comerciais brasileiras pagaram cerca de 1,8 salárioss mínimos (s.m.) mensais em 2020. Neste ano, a Região Nordeste pagou a menor remuneração (1,4 s.m.), enquanto a Região Sudeste pagou a maior (2,0 s.m.). Ambas mantiveram a situação registrada nas últimas 10 edições da PAC, de 2011 a 2020.

A remuneração dos trabalhadores do setor comercial em 2020 totalizou R$ 241,6 bilhões. Já o salário médio mensal passou de 1,9 salário mínimo (s.m.), em 2019, para 1,8 s.m, no ano seguinte. As remunerações mais baixas foram relativas aos representantes e agentes do comércio (1,1 s.m.), ao comércio varejista de produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3 s.m.) e ao comércio varejista de tecidos, vestuário, calçados e armarinho (1,3 s.m.).

“É interessante notar que essa tendência de redução de remuneração do comércio é puxada pelas atividades que pagavam salários mais elevados, como é o caso de combustíveis e lubrificantes, setor que em dez anos teve uma perda bastante significativa (- 2,3 s.m.) e de máquinas aparelhos e equipamentos (-0,7 s.m.). São atividades que empregam bastante gente e pagavam salários mais altos. Por isso acabam puxando essa média para baixo”, destaca Synthia Santana, gerente de Análise Estrutural do IBGE.

BRASIL

No primeiro ano da pandemia, o comércio brasileiro perdeu 4,0% de sua ocupação, 7,4% das empresas e 7,0% das lojas. Dos 404,1 mil trabalhadores que saíram do setor, 90,4% (ou 365,4 mil deles) estavam empregados no varejo. Nesse segmento, apenas duas atividades, consideradas serviços essenciais durante a crise sanitária, tiveram incremento de pessoal: a de hipermercados e supermercados (1,8 mil pessoas) e a de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos (318 pessoas).

Foi a maior queda na ocupação do comércio, no intervalo de um ano, desde o início da série histórica da pesquisa, em 2007. Também houve queda recorde do número de trabalhadores em dois dos três grandes segmentos do comércio: – 4,8%, no setor varejista, que emprega 73,7% dos trabalhadores do comércio, e -8,5% no segmento de veículos, peças e motocicletas.

Entre as atividades, a maior redução foi de um setor bastante atingido pelas medidas de distanciamento social adotadas para deter a Covid-19. Em um ano, o segmento varejista de tecidos, vestuário, calçados e armarinho sofreu retração de 176,6 mil trabalhadores, o que representa uma perda de 15,3% em seu contingente de ocupados. Além disso, o número de empresas desse setor caiu 15,6%. Isso corresponde a 32,6 mil estabelecimentos comerciais.

“O volume expressivo da queda nesse setor chama a atenção e representa de forma significativa aquelas lojas que tiveram suas atividades mais afetadas pela necessidade de isolamento social, seja no comércio popular, seja em shoppings. Todos esses estabelecimentos onde a venda presencial é muito importante para experimentar a mercadoria sentiram os efeitos da pandemia de forma mais acentuada nesse primeiro ano”, explica a gerente de Análise Estrutural do IBGE.

Outras fortes retrações de ocupação ocorreram nos setores varejistas de produtos alimentícios, bebidas e fumo (-81,5 mil trabalhadores) e de material de construção (-59,7 mil). Nesse primeiro segmento, estão as lojas especializadas, como os empórios, padarias e comércios de bebidas.

“Essa atividade, mesmo sendo considerada essencial na pandemia, registrou queda na comparação com 2019. Um dos fatores que podem explicar esse resultado é que a ida menos frequente a estabelecimentos comerciais, por causa da necessidade de isolamento social, fez com que os consumidores concentrassem suas compras em empresas com uma gama mais diversificada de produtos, como é o caso de hiper e supermercados”, analisa a pesquisadora.

Entre os segmentos investigados, apenas o atacado teve aumento (2,2%), influenciado pelas contratações em três atividades: madeira, ferragens, ferramentas, materiais elétricos e material de construção (10,0%), produtos alimentícios, bebidas e fumo (4,4%) e mercadorias em geral (6,1%).