A BYD apresentou na China a atualização do Dolphin Mini, modelo elétrico compacto conhecido no mercado local como Seagull, em uma ofensiva para manter competitividade diante da crescente pressão de fabricantes chinesas no segmento de veículos urbanos de baixo custo.
O hatch recebeu mudanças no pacote tecnológico, novas opções de autonomia e sistemas avançados de assistência à condução que, até recentemente, estavam restritos a modelos de categorias superiores. A atualização foi revelada comercialmente após a primeira aparição pública durante o Salão de Pequim.

No Brasil, a montadora ainda não confirma quando a nova configuração será lançada. O Dolphin Mini, no entanto, se tornou um dos principais produtos da operação brasileira da fabricante e figurou entre os dez veículos mais vendidos do país em abril, o que reforça a expectativa de chegada da atualização ao mercado nacional.
Visualmente, as mudanças são discretas. O modelo ganhou novos elementos de acabamento externo, rodas de 16 polegadas com desenho revisado e lanternas traseiras de LED com nova assinatura luminosa. As dimensões foram mantidas: 3,78 metros de comprimento, 1,71 metro de largura, 1,54 metro de altura e entre-eixos de 2,50 metros.
A principal evolução está no conjunto eletrônico. O novo Dolphin Mini passa a oferecer o sistema God’s Eye B, também chamado de DiPilot 300, que incorpora sensor LiDAR ao pacote de assistência à condução.
Com a tecnologia, o compacto passa a contar com recursos como navegação assistida em ambiente urbano, reconhecimento de semáforos, gerenciamento de rotatórias e monitoramento mais avançado do tráfego. A estratégia da BYD é ampliar o apelo tecnológico do modelo em um momento de forte disputa entre fabricantes chinesas de elétricos compactos.
A cabine também foi atualizada. O hatch recebeu o sistema multimídia DiLink 150, com tela central de 12,8 polegadas, comandos tridimensionais do veículo e navegação personalizada. Entre os equipamentos disponíveis estão carregador de celular por indução de 50 W, bancos dianteiros aquecidos, ajuste elétrico de seis posições para o motorista, monitoramento de atenção ao volante, frenagem automática de emergência e gravador de condução com cinco câmeras.
Na motorização, o Dolphin Mini 2026 mantém conjunto elétrico dianteiro de 75 cavalos de potência e 13,8 kgfm de torque. A fabricante oferece duas opções de bateria. A menor, de 30,08 kWh, proporciona autonomia de até 305 quilômetros no ciclo chinês. Já a versão de 38,88 kWh amplia o alcance para até 405 quilômetros por carga.
A BYD ainda não informou se a configuração de maior autonomia será destinada a mercados internacionais, incluindo o Brasil.
A atualização também responde ao avanço de concorrentes locais. Embora o Dolphin Mini tenha alcançado vendas superiores a 34 mil unidades em um único mês na China, o modelo perdeu participação diante da chegada de novos rivais como o Geely EX2, o Arcfox T1 — já cotado para desembarque no mercado brasileiro — e o Leapmotor A10.
O movimento reflete a intensificação da disputa no maior mercado global de veículos elétricos, onde fabricantes locais aceleram lançamentos e ampliam a oferta de tecnologias avançadas em modelos de entrada para sustentar participação em um segmento marcado por margens mais estreitas e concorrência crescente.