O Brasil se tornou o único país do Mercosul atingido pela nova restrição sanitária imposta pela União Europeia para a importação de determinados produtos de origem animal. A medida, oficializada pela Comissão Europeia, excluiu o país da lista de nações autorizadas a exportar esses produtos para os 27 países do bloco europeu.
Enquanto isso, os demais integrantes do Mercosul — Argentina, Paraguai e Uruguai — permanecem aptos a comercializar seus produtos de origem animal com a União Europeia.

A decisão preocupa o setor agropecuário brasileiro, já que o mercado europeu é um dos principais destinos das exportações nacionais de carne. Em 2025, o bloco importou cerca de 368,1 mil toneladas de carnes brasileiras, movimentando aproximadamente US$ 1,8 bilhão, segundo dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária.
O valor coloca a União Europeia como o segundo maior mercado para as carnes brasileiras em receita, atrás apenas da China.
Motivo da restrição
Segundo as autoridades europeias, o Brasil não apresentou informações consideradas suficientes para comprovar que conseguirá cumprir integralmente, até setembro de 2026, as exigências relacionadas ao uso de determinados antimicrobianos na produção animal.
A legislação europeia proíbe a importação de produtos oriundos de sistemas produtivos que utilizem essas substâncias para estimular crescimento ou aumentar a produtividade dos animais. Bruxelas argumenta que a prática contribui para o avanço da resistência bacteriana, considerada uma ameaça global à saúde pública.
Com isso, o Brasil foi retirado da lista de exportadores autorizados em categorias como bovinos, aves, equídeos, aquicultura, mel e tripas.
Impacto bilionário
Caso a medida seja mantida, o impacto poderá atingir um mercado que movimentou cerca de US$ 1,8 bilhão em 2025. Entre os principais produtos exportados para a União Europeia estão:
- Carne bovina: US$ 1,048 bilhão;
- Carne de frango: US$ 762,9 milhões;
- Carne de peru: US$ 15,7 milhões;
- Carne suína: US$ 1 milhão;
- Carne de cavalo: US$ 1 milhão.
A decisão chama atenção por ocorrer poucos meses após o início da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Apesar disso, a Comissão Europeia afirma que a medida possui caráter exclusivamente sanitário e não está relacionada ao tratado.
Governo tenta reverter decisão
Integrantes do governo brasileiro afirmam que toda a documentação exigida pelas autoridades europeias foi enviada em outubro de 2025. Segundo o Ministério da Agricultura, não houve solicitações posteriores de complementação nem alertas de que os dados apresentados seriam considerados insuficientes.
Apesar da oficialização do regulamento, as restrições ainda não estão valendo. A entrada em vigor está prevista para o dia 3 de setembro de 2026, período em que o governo brasileiro buscará negociar uma reversão da decisão junto às autoridades europeias.