O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) apresentou uma proposta de ajuste fiscal que prevê a redução de R$ 250 bilhões por ano nas despesas públicas. O plano inclui retirar aposentadorias e benefícios sociais da política de reajuste do salário mínimo, acabar com os pisos constitucionais de gastos em saúde e educação e rever vantagens concedidas aos cargos mais altos do funcionalismo.
As medidas foram detalhadas por Renan em artigo publicado na newsletter da Esfera Brasil. O candidato defende que os benefícios da Previdência Social, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Bolsa Família deixem de ser reajustados automaticamente de acordo com o salário mínimo.

Segundo ele, a redução das despesas abriria espaço para equilibrar as contas públicas, diminuir os juros e recuperar a capacidade de investimento do governo federal. “Esse equilíbrio fiscal, que hoje provoca alergia tanto na esquerda como no bolsonarismo, é o que vai nos permitir reduzir os juros e recuperar a capacidade de investimento do Estado. Meu compromisso é reduzir a taxa de juros para até 5% no fim do mandato”, afirmou.
Renan também propõe uma reforma administrativa concentrada na revisão de vantagens recebidas pelo alto escalão do serviço público. A intenção é reduzir gratificações, benefícios adicionais e outros pagamentos que ultrapassam os salários regulares.
“Essa reforma passa pelo fim dos privilégios do alto funcionalismo — a destruição da ‘casta’ de concursados que hoje drena mais de R$ 20 bilhões em penduricalhos e benefícios especiais do orçamento federal, com impacto ainda maior nos recursos dos estados e municípios”, escreveu.
Com esse programa, Renan procura se apresentar como o candidato mais comprometido com o controle das despesas públicas e como uma alternativa a Flávio Bolsonaro (PL). O candidato do Missão critica o adversário por evitar o detalhamento de suas propostas econômicas durante a campanha.
No artigo, Renan também atacou a polarização entre o PT e o bolsonarismo, união que classificou como “bolsopetismo”. Na avaliação dele, os dois grupos priorizam a disputa pelo controle político do governo e deixam a administração das contas públicas em segundo plano.
“Governar o Brasil se resume a pagar as contas. Guardadas as devidas proporções, o presidente hoje é um síndico de prédio. O ‘bolsopetismo’ não se preocupa com esses problemas, apenas com quem vai ter a caneta para desviar parte do orçamento da obra”, declarou.