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Eleições 2026

Quem é Renan Santos, fundador do MBL e candidato à Presidência

Fundador do movimento e presidente da nova legenda estreia na disputa presidencial com propostas voltadas à segurança, habitação e ajuste fiscal
Redação
03/08/2026 | 08:42

Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente nacional do partido Missão, Renan Santos disputa pela primeira vez a Presidência da República. A candidatura foi oficializada no sábado 1º, durante um congresso da legenda em São Paulo.

Nascido em 14 de fevereiro de 1984, na capital paulista, Renan foi criado no bairro da Mooca. Ele se apresenta como escritor, empresário e músico, além de dirigente partidário.

magem mostra a unidade da Bombril em São BeRio Grande do Norteardo do Campo, onde três trabalhadores foram mortos
Fundador do MBL e presidente do Missão, Renan Santos disputa pela primeira vez a Presidência da República Foto:Divulgação

O candidato chegou a cursar Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas não concluiu a graduação. Após deixar a universidade, passou a trabalhar com o pai em um grupo empresarial.

Do MBL à criação de um partido

Renan ganhou projeção política durante as manifestações de junho de 2013. No fim de 2014, participou da fundação do MBL, movimento que organizou protestos contra o governo de Dilma Rousseff, apoiou a Operação Lava Jato e defendeu o impeachment da então presidente.

Com o crescimento do movimento, passou a atuar nos bastidores de campanhas de aliados lançados por diferentes partidos, como Democratas, Patriota, Podemos e União Brasil.

Em 2018, Renan e o MBL apoiaram a primeira candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência. O rompimento aconteceu depois do início do governo, em meio a divergências sobre economia e combate à corrupção.

A mobilização para criar o Missão começou em 2023. O registro da legenda foi aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2025. O partido tem o número 14 e é presidido nacionalmente por Renan, segundo o cadastro oficial do TSE.

A sigla chega à primeira eleição nacional com um deputado federal, um deputado estadual e três vereadores. A direção partidária projeta lançar aproximadamente 450 candidatos aos cargos de deputado federal e estadual.

“Direita não bolsonarista”

Renan define seu posicionamento político como de “direita não bolsonarista”. Na campanha, tenta se apresentar como uma alternativa tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A segurança pública ocupa o centro de seu discurso. O candidato defende uma política de “tolerância zero” contra o crime, resumida pela expressão “prendeu, matou”: suspeitos que obedecerem à abordagem devem ser presos, enquanto aqueles que reagirem com armas enfrentariam uma resposta letal das forças policiais.

Outra formulação utilizada por Renan é “bandeira, quartel e escola”. A proposta combina valorização dos símbolos nacionais, disciplina, fortalecimento do Estado e mudanças na formação educacional.

Combate ao crime e “desfavelização”

Uma das metas apresentadas pelo candidato é reduzir o número anual de homicídios no Brasil para menos de 10 mil. Em longo prazo, ele afirma que pretende chegar a 5 mil mortes por ano.

Renan declarou que, caso não cumpra os objetivos estabelecidos para um eventual governo, não pretende disputar a reeleição. Segundo ele, um governante deve reconhecer quando não consegue executar o projeto apresentado aos eleitores.

Na área social, sua principal proposta é o que chama de “desfavelização do Brasil”. O plano prevê intervenções urbanas nas comunidades, concessão de títulos de propriedade aos moradores e criação de empregos nas proximidades dessas áreas.

O candidato argumenta que a ausência do poder público nas favelas contribui para problemas de segurança, habitação, mobilidade e acesso a direitos básicos. Entre as metas divulgadas pela campanha está a redução de 6 mil favelas e a retirada de 8 milhões de pessoas dessas comunidades.

Renan também afirma admirar medidas de segurança adotadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Ele, porém, faz ressalvas às mudanças que permitem reeleições sucessivas no país centro-americano.

Proposta de ajuste fiscal

Na economia, Renan promete apresentar uma “PEC da Transição”, com previsão de ajuste fiscal de R$ 1,1 trilhão até 2031. O projeto incluiria cortes de despesas, desindexação de benefícios e revisão da vinculação de pisos orçamentários.

A proposta tem como referência uma PEC apresentada pelo deputado federal Kim Kataguiri, também ligado ao MBL, no fim de 2024.

Entre as demais metas anunciadas estão limitar os juros a 6%, alcançar superávit nominal, ampliar a quantidade de empregos formais e alfabetizar nove em cada dez crianças.