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Editorial

O desafio do próximo governo de tornar o RN mais eficiente

Agora RN
29/09/2026 | 01:29

O próximo governador do Rio Grande do Norte receberá um Estado que precisa melhorar a qualidade dos serviços prestados à população e dispõe de pouco espaço financeiro para fazê-lo. Essa combinação aparece no Ranking de Eficiência dos Estados, elaborado pela Folha de S.Paulo em parceria com o Datafolha. O RN ficou em 20º lugar entre 26 estados, com índice geral de 0,303, e recebeu a classificação de “ineficiente”. Entre os muitos desafios da administração que começará em 2027, estará o de elevar esse desempenho sem perder de vista o custo e a capacidade de execução das políticas públicas.

O levantamento relaciona resultados de educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças à receita corrente líquida por habitante de cada estado. Educação e saúde têm peso dobrado no cálculo. O Distrito Federal não foi incluído por suas particularidades orçamentárias. Na escala adotada, índices inferiores a 0,350 correspondem à faixa de ineficiência; apenas sete estados superaram 0,550 e foram classificados como eficientes. O Paraná lidera, com 0,734, seguido por Ceará, com 0,665, e São Paulo, com 0,637.

Fachada da Governadoria do Rio Grande do Norte, com rampa de acesso e palmeiras
Governo do RN - Foto: José Aldenir

A comparação regional dá a dimensão da posição potiguar. O RN teve o penúltimo resultado do Nordeste, à frente apenas da Bahia, que registrou 0,301. Seu índice ficou cerca de 34% abaixo da média nordestina, de 0,462. Além do Ceará, que ocupa a segunda posição nacional, Piauí e Paraíba aparecem entre os sete estados eficientes, em quinto e sexto lugares, respectivamente. Pernambuco, Maranhão, Sergipe e Alagoas também ficaram à frente do Rio Grande do Norte.

A educação é o ponto mais frágil do resultado estadual. Com nota 0,272, o RN ficou em 25º lugar, à frente somente da Bahia. O indicador considera frequência escolar, ingresso no ensino superior estadual por habitante, abandono no ensino médio da rede estadual e desempenho em português e matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica. Entre os estados nordestinos classificados como eficientes no índice geral, o Ceará ocupa a terceira posição nacional em educação, o Piauí, a sexta, e a Paraíba, a 13ª.

Na saúde, o RN obteve seu melhor resultado entre as áreas de prestação de serviços: nota 0,538 e 12º lugar. O cálculo reúne cobertura da atenção primária, número de médicos e leitos do SUS por habitante e mortalidade infantil. O dado mostra que a situação não é uniforme entre os setores avaliados. Para o próximo governo, a tarefa será identificar os resultados que podem ser preservados e as áreas em que a distância para os demais estados é maior.

Infraestrutura e segurança pública colocaram o RN na 20ª posição. Em infraestrutura, a nota foi 0,388, resultado de indicadores de abastecimento de água, esgotamento sanitário e qualidade das rodovias. Na Pesquisa CNT de Rodovias de 2025, somente 391 dos 1.883 quilômetros avaliados no Estado receberam classificação boa; nenhum trecho foi considerado ótimo. Isso significa que 20,8% da extensão examinada alcançou uma das duas melhores categorias.

Na segurança, a nota potiguar foi 0,384. O ranking utiliza a taxa de mortes violentas intencionais, indicador que voltou a subir no Estado. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram 1.007 mortes em 2025, diante de 840 em 2024. O aumento de 19,6% foi o maior entre as unidades da Federação naquele período, enquanto o total nacional caiu 8,2%. É mais um resultado que impõe ao próximo governo uma avaliação das políticas em curso e dos recursos necessários para executá-las.

O componente financeiro apresenta um contraste: nele, o RN ficou em quarto lugar, com nota 0,842. Essa posição, porém, decorre dos critérios específicos do índice. Não constitui uma avaliação completa das contas estaduais nem altera os dados fiscais já expostos em editoriais deste jornal. Para citar um exemplo, nos quatro primeiros meses deste ano, a despesa com pessoal do Executivo representava 56,12% da receita corrente líquida ajustada, acima do limite de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal, o maior índice do País.

Outros números ajudam a dimensionar as restrições. Dados do Tesouro Nacional referentes a 2025 apontaram crescimento de 35% da dívida estadual, de R$ 7,2 bilhões para R$ 9,7 bilhões. A disponibilidade de caixa era negativa em mais de R$ 3 bilhões. No mesmo ano, os investimentos corresponderam a apenas 4% da receita, o menor percentual entre os estados. São indicadores distintos dos utilizados no ranking de eficiência, mas relevantes para compreender as condições em que o futuro governador terá de melhorar educação, estradas, segurança e os demais serviços.

O ranking reúne informações comparáveis disponíveis entre 2022 e 2025. Seus resultados não podem ser atribuídos integralmente a uma única gestão: parte dos serviços depende também de municípios e da União, e dificuldades potiguares já apareciam na primeira edição do estudo, em 2018. Ainda assim, a fotografia atual estabelece um ponto de partida para quem vencer a eleição. Tornar o RN mais eficiente significará obter avanços mensuráveis nos serviços públicos ao mesmo tempo que o Estado enfrenta a pressão da folha, da dívida e do baixo investimento.