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Editorial

A fotografia final antes da eleição

Última pesquisa Exatus retrata as disputas no RN e exige cautela na interpretação das intenções de voto às vésperas da votação
Agora RN
03/10/2026 | 00:36

O Agora RN divulga neste sábado 3 os números da última pesquisa Exatus antes do primeiro turno das eleições. Na véspera da votação, o levantamento oferece um retrato das preferências do eleitorado potiguar para o Governo do Estado, o Senado, a Presidência da República e a luta pelas vagas de deputado estadual e deputado federal. Os resultados completos estão nas páginas 4 a 7 desta edição.

A leitura desses números exige compreender o alcance de uma pesquisa eleitoral. Trata-se de uma estimativa das intenções de voto, obtida por entrevistas com uma amostra do eleitorado, em determinado período. É uma fotografia daquele momento, não uma previsão do resultado. Entre a coleta e a votação, preferências podem mudar, eleitores podem definir escolhas e acontecimentos podem influenciar decisões. A proximidade das urnas torna o levantamento especialmente relevante, mas não elimina essas possibilidades.

Eleitor é atendido por mesários em uma sala de votação
Eleitor e mesários em seção de votação, em imagem de arquivo — Foto: José Aldenir

A Exatus ouviu 1.500 eleitores entre 28 e 30 de setembro, com margem de erro de 2,53 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Esses parâmetros precisam acompanhar a interpretação dos percentuais. Pequenas diferenças e oscilações entre rodadas não devem ser automaticamente apresentadas como mudanças consolidadas. A série permite observar a trajetória das candidaturas, enquanto o levantamento mais recente descreve o cenário encontrado pelos entrevistadores nos últimos dias de campanha.

Para o Governo do RN, Allyson Bezerra aparece com 43,26% das intenções de voto estimuladas, seguido por Cadu de Lula, com 24,42%, e Álvaro Dias, com 22,22%. O candidato do União mantém uma vantagem expressiva sobre os concorrentes. Cadu ocupa numericamente a segunda posição, mas permanece tecnicamente empatado com Álvaro. O quadro reúne, portanto, uma liderança isolada e uma disputa ainda indefinida entre os dois adversários mais próximos.

A maior dúvida é se a eleição será encerrada neste domingo ou exigirá um segundo turno. Na fotografia atual, a soma das intenções de voto dos demais candidatos supera o percentual de Allyson. Consideradas apenas as respostas atribuídas aos concorrentes, o líder teria aproximadamente 47,64%, abaixo da maioria necessária para vencer na primeira etapa. A incerteza da pesquisa, entretanto, impede descartar uma resolução imediata. Também não permite definir antecipadamente quem disputaria uma eventual segunda rodada.

A evolução ajuda a compreender como esse cenário se formou. Allyson liderou as sete pesquisas consideradas no comparativo desde abril. Cadu apresentou o maior crescimento acumulado entre os três principais candidatos, enquanto Álvaro chega à votação abaixo do percentual registrado no início da série, embora tenha oscilado positivamente nas rodadas mais recentes. Essas trajetórias descrevem o caminho percorrido até aqui. Não estabelecem, por si, o movimento que ocorrerá entre a entrevista e a confirmação do voto.

No Senado, Styvenson Valentim e Zenaide Maia mantiveram a liderança ao longo do processo eleitoral e chegam à última pesquisa nas duas primeiras posições. Na soma das duas escolhas estimuladas, Styvenson registra 47,20%, e Zenaide, 35,47%. Ambos disputam a renovação dos mandatos. A permanência à frente constitui um dado relevante da campanha, mas precisa ser examinada juntamente com a movimentação dos adversários e com o volume de respostas ainda sem indicação de candidato.

Samanda de Lula vem crescendo e aparece com 19,99% na soma dos votos. Rafael Motta registra 19,30%, e Coronel Hélio, 17,29%, compondo com ela um grupo tecnicamente empatado. O avanço da petista merece atenção nesta reta final e abre espaço para uma possível surpresa. A mesma prudência exige reconhecer que os concorrentes próximos também permanecem na disputa. Crescimento recente e posição numérica são informações importantes, mas insuficientes para antecipar quem ocupará as duas vagas.

A eleição para o Senado tem uma particularidade essencial: cada eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes, com votos de igual peso. Por isso, a soma das duas indicações precisa ser entendida dentro dessa dinâmica. Na segunda escolha da pesquisa, 30,67% não sabem ou não responderam. É uma parcela expressiva, que reforça a necessidade de cautela ao transformar as posições atuais em conclusões sobre o resultado.

Divulgar esses dados implica oferecer informação com clareza, contexto e responsabilidade. Cabe ao jornal apresentar os números e seus limites, permitindo que o leitor acompanhe a disputa sem confundir estimativas com apuração. A Exatus registra a fotografia final disponível antes da eleição. Neste domingo, o eleitorado produzirá o resultado efetivo, pelo exercício individual e livre do voto. Até lá, lideranças, aproximações e possibilidades devem ser tratadas como aquilo que são: evidências do momento pesquisado, sujeitas à decisão soberana das urnas.