O lutador de jiu-jitsu Willian Hiroyuki Masuda, conhecido como “Kabuto”, perdeu os movimentos após sofrer um golpe considerado proibido durante o campeonato Super Pro Jiu-Jitsu, realizado neste domingo 23, em Londrina, no Paraná. O atleta sofreu uma grave lesão cervical, precisou passar por cirurgia e permanece internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O caso chegou ao Ministério Público do Paraná, que solicitou a abertura de um inquérito para investigar a conduta do adversário, Juliano Di Pelli Machado.
Imagens da luta mostram o momento em que Juliano levanta Willian e o deixa de cabeça para baixo. Na sequência, o adversário projeta o próprio corpo sobre o atleta. O movimento, conhecido como “bate-estaca”, é proibido no jiu-jitsu.

O árbitro interrompeu a luta logo após a ação. Willian tentou se levantar, mas não conseguiu. Segundo informações da equipe do atleta, ele sofreu uma lesão grave na região cervical e precisou ser submetido a uma cirurgia. O estado de saúde é considerado grave.
MP pede investigação sobre golpe durante luta
O episódio foi levado ao Ministério Público do Paraná, que apresentou uma notícia-crime nesta segunda-feira 24 e pediu à Polícia Civil a abertura de um inquérito para apurar a conduta de Juliano.
O promotor Renato de Lima Castro, que também é faixa preta de jiu-jitsu e acompanhava a competição, criticou o movimento realizado durante a luta.
Segundo ele, o adversário teria projetado o peso do corpo sobre Willian, que estava com a cabeça apoiada no chão e em uma posição de vulnerabilidade. O promotor defendeu que o atleta seja responsabilizado.
Um profissional ouvido pelo programa Cidade Alerta, da Record, também analisou as imagens e destacou os riscos do movimento. Segundo ele, a posição deixa a região cervical exposta à ação do peso dos dois atletas.
Organização diz que prestou atendimento imediato
A organização do Super Pro Jiu-Jitsu informou à rádio CBN que Willian recebeu atendimento médico imediatamente após o episódio. O evento contava com uma ambulância e uma equipe de socorro, e o lutador foi encaminhado para avaliação especializada.
Em nota, a organização classificou o ocorrido como um “incidente fora do comum” e afirmou que acompanha a situação junto à família do atleta e que está colaborando com as autoridades.
A Fundação de Esportes de Londrina, responsável pelo Ginásio Moringão, onde a competição foi realizada, lamentou o caso e esclareceu que não participou da organização do campeonato.
Defesa de Juliano diz que atleta está abalado
A defesa de Juliano Di Pelli Machado afirmou que o lutador está “profundamente abalado” com o estado de saúde de Willian e que permanece à disposição das autoridades.
Os advogados também defenderam que o episódio seja analisado com base nas imagens da luta, nas regras do jiu-jitsu e na avaliação da arbitragem.
A defesa afirmou ainda que Juliano é atleta profissional, medalhista em campeonatos europeu e mundial e que não possui histórico de punições disciplinares ou de conduta antidesportiva. Os representantes disseram que só devem apresentar uma manifestação mais detalhada após a análise técnica do caso pelas autoridades e pelas entidades esportivas.
A Polícia Civil deverá investigar as circunstâncias do golpe e a conduta dos envolvidos. O caso também poderá ser analisado pelas entidades responsáveis pela modalidade.