O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou em pronunciamento nesta segunda 9 que “a batalha vai levar tempo” e prometeu que ela só terminará com a eliminação do inimigo, embora não tenha mencionado uma possível invasão da Faixa de Gaza.
O território é controlado pela facção terrorista islâmica Hamas, cujas atrocidades, segundo o premiê, são comparáveis com às do Estado Islâmico, outro grupo terrorista que ganhou corpo no contexto da guerra civil da Síria e cometeu assassinatos de ocidentais e atentados.

“Sempre soubemos quem é o Hamas, agora o mundo inteiro sabe. O Hamas é o Estado Islâmico. E vamos derrotá-lo assim como o mundo esclarecido derrotou o Estado Islâmico. Esse inimigo vil queria guerra e terá guerra”, afirmou.
Em sua fala, o líder ressaltou que Israel fará tudo pelos cidadãos israelense que foram capturados e são feitos reféns pelo Hamas em Gaza —o grupo terrorista afirmou que, se Tel Aviv não parar com bombardeios sem avisos, mataria civis sequestrados.
Após o pronunciamento de Netanyahu, o porta-voz do braço armado do Hamas disse em seguida que o grupo não negociará “sob fogo”. A facção também afirmou que Israel deve estar preparado para “pagar o preço” em troca da liberdade dos reféns, sem explicitar o que seria esse preço.
Ontem, além de bombardear Gaza, Israel também atacou áreas no Líbano, na fronteira norte, alegando a entrada de “infiltrados” no país. O Líbano é a sede do grupo Hezbollah, que entrou em conflito com os israelenses pela última vez em 2006.
O Hezbollah não está formalmente na guerra, mas disparou foguetes contra Israel. Os ataques foram uma resposta do grupo libanês à morte de quatro de seus membros em um bombardeio israelense.
No sábado 7, o Hamas lançou a maior ofensiva em anos contra Israel —Netanyahu declarou guerra em resposta. Segundo autoridades, até a publicação desta reportagem o conflito já deixou quase 1.500 pessoas mortas e mais de 6.100 feridas. Israel confirmou ao menos 800 mortos, enquanto autoridades de Gaza disseram que o número de mortos entre os palestinos é de pelo menos 687. O conflito mais recente entre Israel e o grupo havia sido uma guerra que durou 11 dias em 2021.
No sábado, combatentes palestinos invadiram ao menos 14 localidades no sul de Israel, onde mataram dezenas de civis e soldados e fizeram reféns. Milhares de foguetes foram disparados contra o território israelense. Outras facções palestinas, como o Jihad Islâmico e a esquerdista Frente Popular pela Libertação da Palestina, se juntaram à ofensiva.
Guerra: Hamas ameaça matar civis caso Israel siga com ataques a Gaza
As Brigadas al-Qassam, braço armado do Hamas, ameaçaram executar civis de Israel sequestrados pela facção terrorista caso Tel Aviv prossiga com bombardeios contra edifícios residenciais na Faixa de Gaza sem avisar previamente ao grupo.
Abu Obaida, porta-voz das brigadas, disse nesta segunda 9 que a facção tem agido “de acordo com as leis islâmicas” e mantido seus prisioneiros “sãos e salvos”, mas que mudará o plano se ataques aéreos israelenses prosseguirem nas próximas horas.
“A partir de agora, qualquer ataque ao nosso povo, sem aviso prévio, resultará na execução de reféns civis, que será transmitida em vídeo”, disse ele. Ainda é incerto o número de civis e oficiais militares sequestrados desde o início da investida do Hamas, no último sábado 7. Autoridades de Israel, porém, afirmam ser mais de cem pessoas.
Ao jornal The Times of Israel, no entanto, uma alta fonte do governo do premiê Binyamin Netanyahu disse que a decisão de Tel Aviv, por ora, é prosseguir com os ataques na Faixa de Gaza, a despeito do risco de consequências para os israelenses mantidos em cativeiro.
Até o momento, pelo menos 1.587 pessoas morreram em Israel e em Gaza desde sábado. Foram pelo 900 vítimas em Israel, 100 delas encontradas em um kibutz (habitação coletiva) em Be’eri, no sul do país. Já na Palestina são 687 mortes confirmadas, segundo as autoridades locais.
Ao menos 91 crianças morreram após ataques em guerra, diz entidade
Ao menos 91 crianças palestinas foram mortas na Faixa de Gaza em decorrência dos bombardeios israelenses na região. As informações foram obtidas pela organização Defense for Children International – Palestine (DCIP) junto ao Ministério da Saúde da Palestina.
“Não há espaços seguros na Faixa de Gaza para crianças palestinas e suas famílias”, afirma a organização especializada na defesa dos direitos das crianças na Palestina. “Elas (as crianças palestinas) suportam cada vez mais o peso das repetidas ofensivas militares de Israel”, completa a nota da entidade.
As primeiras cinco crianças a morrer nas regiões palestinas foram vítimas de um ataque na Cidade de Gaza no sábado 7, por volta das 20h20 (horário local).
No mesmo horário, um míssil atingiu uma área residencial na cidade de Rafah, no sul de Gaza, deixando outras cinco crianças mortas.
A organização argumenta que há evidências que sugerem que o uso da força letal por Israel contra as crianças palestinas pode se configurar como execuções extrajudiciais.
Israel nega ter sido alertado pelo Egito
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de Israel, negou ter sido alertado pelo Egito sobre os planos do Hamas dez dias antes do ataque terrorista no último sábado, o maior já realizado por um grupo palestino contra Israel. Ontem, uma fonte do Cairo disse à agência Associated Press que o Egito teria alertado o governo de Israel de que “algo grande” estava sendo planejado em Gaza.
Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, o Gabinete de Netanyahu disse que tais relatórios são “absolutamente falsos”:
“Nenhuma mensagem antecipada chegou do Egito e o primeiro-ministro não falou nem se reuniu com o chefe da Inteligência egípcia desde a formação do governo, nem direta nem indiretamente”, afirma o documento. “Esta é uma notícia totalmente falsa.”
Secretário-geral da ONU diz estar angustiado com plano de Israel
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, pediu que Hamas pare com os ataques a Israel e liberte reféns.
Em declarações nesta segunda-feira 9, ele também pediu a todas as partes do conflito que permitam acesso da ONU para prestar assistência humanitária aos palestinos presos na Faixa de Gaza.
Guterres reiterou que apenas a paz negociada e “a visão de longa data de uma solução de dois Estados” podem trazer estabilidade à região.
O secretário-geral condenou os “ataques abomináveis do Hamas e outros contra cidades e aldeias israelenses na periferia de Gaza”.
Disse ainda que, embora reconhecesse “as queixas legítimas do povo palestino”, nada pode justificar atos de terror, mutilações, assassinatos e raptos de civis.
Israel autoriza resgate de brasileiros; 1º voo deve chegar a Brasília na próxima quarta 11
O governo de Israel autorizou nesta segunda-feira 9 que o Brasil resgate cidadãos brasileiros que estão no país em meio ao maior conflito na região em cerca de 50 anos. O primeiro voo de Tel Aviv deve chegar em Brasília à 1h de quarta-feira 11; e o último, às 23h de sábado 14.
O Itamaraty informou que a primeira aeronave que realizará a missão está em Roma, na Itália, de onde seguirá para Israel. Esse avião partiu da Base Aérea de Natal. Já segundo avião saiu de Brasília na tarde desta segunda.
A Força Aérea Brasileira informou que 900 brasileiros devem ser repatriados até sábado. A operação poderá ser repetida na próxima semana, caso haja necessidade.
O governo brasileiro também estuda formas de retirar cidadãos brasileiros de territórios palestinos, em particular através do Egito, Jordânia e Líbano. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, há 25 brasileiros na Faixa de Gaza que entraram em contato com o Itamaraty solicitando a repatriação.
O Itamaraty informou que, até ontem, 1.700 brasileiros já haviam solicitado repatriação, sendo a maioria turistas hospedados em Tel Aviv e em Jerusalém.
Eles estão entrando em contato com a embaixada brasileira em Tel Aviv por meio de um formulário online.
De acordo com uma programação prévia divulgada pela FAB, serão cinco voos de repatriação, quatro deles com capacidade para 210 pessoas e um, menor, para 60 passageiros. Restarão ainda 800 brasileiros em território israelense, que podem tanto ser resgatados em ocasiões futuras ou tentar voltar por voo comercial.
Em relação à retirada de brasileiros de territórios palestinos como a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, Damasceno afirmou que se trata de uma operação mais difícil e que as possibilidades ainda estão sendo analisadas. Estuda-se ainda a repatriação por meio de outros países da região, sobretudo Egito, Jordânia e Líbano.
Potiguares começam a deixar o país em voos comerciais
Os potiguares que estavam em uma “peregrinação” por Israel começaram a deixar o país na manhã desta segunda-feira 9, em meio ao conflito entre israelenses e o grupo terrorista palestino Hamas. De acordo com a agência de viagens Arituba Turismo, que organizou a excursão, dos 25 potiguares, 12 já conseguiram deixar Israel.
Todos os 12 potiguares foram de Israel para a Espanha em voos comerciais. Dois passageiros seguiram para Barcelona e dez para Madri.
O diretor do Grupo Arituba, Abdon Gosson, segue em Tel Aviv com o restante dos passageiros. A previsão é que, até a manhã de quarta-feira 11, todo o grupo da Arituba Turismo, deixe Israel.
O grupo de potiguares, composto por 25 pessoas, chegou a Tel Aviv no sábado 7, para cumprir uma viagem de peregrinação, sob a liderança espiritual do Padre Francisco. A viagem, no entanto, foi interrompida por causa dos ataques do Hamas.
Além dos 25 fiéis, pelo menos outros dois potiguares estão em Israel: os estudantes Francisco das Chagas Barbalho Neto e Roosevelt de Araújo Sales Júnior, que são da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). Eles chegaram a Israel na última terça-feira 3 para um estágio de 45 dias em uma empresa.
Eles estão em uma cidade no extremo sul do país, que ainda não registrou ataques. A reitora da Ufersa, Ludimilla Oliveira, afirmou que o resgate dos estudantes deve demorar justamente por isso. Como eles estão a cerca de 3 horas de Tel Aviv, onde está o principal aeroporto de Israel e de onde ocorrerá o resgate dos brasileiros, o deslocamento até lá pode ser arriscado agora.
Guerra pode aumentar preço do diesel, afirma Jean Paul
O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, disse, nesta segunda-feira 9, no Rio de Janeiro, que a guerra do Oriente Médio deve provocar um aumento de volatilidade nos preços do petróleo.
Acentuou que a decisão sobre um possível reajuste nos preços dos combustíveis no Brasil, caso haja uma elevação nos derivados em decorrência do cenário internacional, depende do comportamento de cada um, entre eles, a gasolina e, principalmente, o diesel.
Ele ponderou, no entanto, que a política de preços, que não é só da Petrobras, mas do país, poderá mostrar, neste momento, que tem dado certo e reduzir os efeitos das variações internacionais [de preços].
“Na guerra, provavelmente vai ter aumento de volatilidade. [Haverá] variações muito especulativas em cima disso aí e [a situação] vai mostrar como é útil e como está dando certo a política de preços atual, pelo menos da Petrobras, como ela é capaz de mitigar um pouco esses efeitos”, afirmou ao chegar para participar de um evento organizado pela Câmara de Comércio Noruega e Brasil, pelo Innovation Norway e pelo consulado geral da Noruega, no Rio.
Prates afirmou, ainda, que a Petrobras não está se preparando especificamente para isso, mas que não há muito mais a ser feito do que a petroleira já vem realizando.