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Comércio

Varejo do RN tem 3ª queda seguida, mas mantém alta no ano

Comércio potiguar acumula crescimento de 4,5% no primeiro semestre e de 5,9% em 12 meses, segunda maior alta entre os Estados
Por O Correio de Hoje
14/08/2026 | 15:21

O comércio varejista do Rio Grande do Norte encerrou o primeiro semestre de 2026 com sinais distintos no curto e no médio prazo. O volume de vendas recuou 0,1% em junho frente a maio, na série com ajuste sazonal, acumulando o terceiro resultado mensal negativo consecutivo. Apesar da perda de ritmo, o setor ainda registra crescimento de 4,5% no ano e de 5,9% em 12 meses, a segunda maior expansão entre os Estados brasileiros nesse último recorte.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira 13, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em junho, o desempenho potiguar também ficou na contramão do resultado nacional: enquanto as vendas caíram 0,1% no RN, o varejo brasileiro avançou 0,5% sobre maio. A sequência negativa no Estado começou em abril, quando houve retração de 0,2%. Em maio, a queda ganhou força e chegou a 1,3%, seguida pela variação de menos 0,1% em junho. Março já havia indicado perda de ritmo, com estabilidade de 0,0%.

Movimentação de consumidores e veículos em área comercial com lojas e estabelecimentos
Volume de vendas recuou 0,1% em junho ante maio, de acordo com IBGE - Foto: josé aldenir

A trajetória contrasta com o início do ano. Em janeiro, o varejo potiguar apresentava crescimento de 5,8% em termos reais na comparação anual, segundo análise do Instituto Fecomércio RN. Na ocasião, o Estado acumulava dez meses consecutivos de expansão nessa base de comparação.

Mesmo com três meses seguidos de retração na comparação imediatamente anterior, a leitura anual permanece positiva. Frente a junho de 2025, o volume vendido pelo varejo restrito do Rio Grande do Norte aumentou 2,1%.

No acumulado de janeiro a junho, a expansão chegou a 4,5% ante o primeiro semestre de 2025. O resultado supera o desempenho nacional: no país, as vendas cresceram 1,9% no período. Em junho, o varejo brasileiro avançou 2,9% na comparação anual. A diferença entre as comparações mensais e anuais indica que o comércio potiguar continua operando acima dos níveis observados em 2025, mas perdeu força ao longo dos últimos meses.

O desempenho acumulado em 12 meses reforça essa diferença. Até junho, o varejo do Rio Grande do Norte cresceu 5,9% frente aos 12 meses imediatamente anteriores. A taxa é a segunda maior do país, atrás apenas de Pernambuco, com avanço de 6,1%. O resultado potiguar também está bem acima do nacional, que registrou crescimento de 1,6% nessa comparação.

O indicador, porém, perdeu alguma força. Até maio, o varejo potiguar acumulava expansão de 6,3% em 12 meses, então a maior variação do país. Naquele mês, as vendas haviam aumentado 1,4% frente a maio de 2025, completando 14 meses consecutivos de resultados positivos na comparação anual.

O movimento mostra que a sequência de quedas mensais ainda não foi suficiente para eliminar o crescimento acumulado, mas começa a reduzir a velocidade da expansão registrada desde 2025.

Em março, por exemplo, as vendas no Estado haviam avançado 9,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em maio, essa diferença havia diminuído para 1,4% e, em junho, ficou em 2,1%.

A desaceleração aparece com maior intensidade no comércio varejista ampliado, indicador que acrescenta ao varejo tradicional as vendas de veículos, motocicletas, partes e peças, material de construção e o atacado especializado de produtos alimentícios, bebidas e fumo.

Nesse recorte, o volume de vendas no Rio Grande do Norte caiu 1,5% em junho frente a maio, também na série ajustada sazonalmente. Na comparação com junho de 2025, porém, houve crescimento de 1,4%. O varejo ampliado acumula expansão de 2,8% nos primeiros seis meses de 2026 e de 3,2% nos últimos 12 meses.

A diferença entre os indicadores mostra desempenho mais favorável do varejo restrito no Estado. Enquanto este cresceu 4,5% no primeiro semestre, o ampliado avançou 2,8%, diferença de 1,7 ponto percentual.

Essa distância já aparecia no começo do ano. Em janeiro, análise da Fecomércio RN apontava que o avanço do comércio tradicional estava mais intenso do que o do varejo ampliado. Até aquele momento, o indicador ampliado acumulava crescimento de 2,5% em 12 meses.

Indicadores divulgados ao longo do primeiro semestre ajudam a explicar por que o comércio potiguar mantém crescimento na comparação anual, apesar da desaceleração recente.

Em junho, o Índice de Confiança das Famílias de Natal chegou a 92,8 pontos, maior nível em 12 meses. O indicador continuava abaixo dos 100 pontos, faixa que separa pessimismo de otimismo, mas havia avançado 15,1 pontos em relação ao mesmo período de 2025.

Segundo o Instituto Fecomércio RN, a melhora estava associada à evolução da renda e do mercado de trabalho. Natal havia criado 2,3 mil empregos com carteira assinada até maio. No conjunto do Estado, comércio e serviços também contribuíram para manter positivo o saldo de empregos formais naquele mês, com contratações em supermercados, farmácias, saúde, educação, logística e comércio de veículos.

As datas comemorativas também deram suporte às vendas. Para o Dia das Mães, a Fecomércio RN estimou movimentação de R$ 482,2 milhões na economia estadual, 3,1% acima de 2025. Para o Dia dos Namorados, a projeção foi de R$ 340,7 milhões, crescimento de 4,2%.

Os levantamentos, contudo, já mostravam limites para a expansão do consumo. Na pesquisa do Dia das Mães, 52,9% dos entrevistados que não pretendiam comprar presentes apontaram falta de recursos financeiros como principal razão, ante 19,6% em 2025.