Para classificar Rogério Marinho como um “bom gestor”, é preciso primeiro entender o que se entende por boa gestão. Se ser um bom gestor é fazer acontecer atropelando a burocracia, descartando o planejamento e ignorando as políticas públicas e as regras constitucionais (como a impessoalidade), então tem-se na figura do candidato ao Senado um excelente gestor.
Pelo menos é o que pinta a ação de investigação judicial eleitoral protocolada anteontem na Justiça Eleitoral, contra Rogério, pelo também candidato ao Senado Carlos Eduardo Alves.

Na ação, conforme mostrou o AGORA RN na edição de ontem, Carlos Eduardo acusa Rogério de usar a estrutura do Governo Federal para privilegiar aliados, em troca de apoio para a eleição deste ano. A origem do dinheiro seriam principalmente as emendas de relator, dentro do que ficou conhecido como esquema do orçamento secreto.
Pelo que a denúncia de Carlos Eduardo revela, Rogério Marinho teria usado seu posto de ministro do Desenvolvimento Regional para atender interesses políticos de redutos eleitorais onde ele pretende ser bem votado, dentro do projeto de ser eleito senador. A defesa do ex-prefeito de Natal elenca uma série de indícios de que o ex-ministro cometeu abuso de poder político e econômico, tendo por finalidade o credenciamento junto às bases eleitorais, por intermédio dos prefeitos.
À frente do MDR, Rogério Marinho nada mais fez do que aplicar o seu conhecido estilo de gestão. Aliás, a forma como o ex-ministro normalmente trata a coisa pública já rendeu a ele uma série de dores de cabeça jurídicas – incluindo até uma acusação de peculato feita pelo Ministério Público. Por peculato, entenda-se roubo de dinheiro público.
Com o histórico que Rogério tem, acreditar que sua gestão no MDR escaparia de indícios de problemas seria acreditar em conto de fadas. Ainda mais se tratando de um governo que tem à frente um presidente tresloucado.
Rogério Marinho joga bruto e pesado. Para ele, os fins justificam os meios. Vale tudo para ganhar uma eleição. Vale tudo para conquistar um mandato nas atuais condições – que, para ele, podem ser únicas. Para isso, pelo que se depreende da ação, não importa se a lei será atropelada.
No mais, é risível a estratégia do marketing do candidato ao Senado. Desde que a notícia veio à tona, a comunicação do ex-ministro tentou manipular as informações e minimizar a gravidade do que está sendo denunciado.
A propósito, as sequelas do jeito Rogério Marinho de ser começam a aparecer, com denúncias de possíveis irregularidades.
rog
Pelo andar da carruagem, muito provavelmente outros problemas deverão sair debaixo do tapete nas próximas semanas, meses e anos. Espera-se que o eleitor fique atento e não se deixe enganar por malabarismos de marketing e comunicação. Só assim, lá na frente, todos os esqueletos terão a chance de realmente sair do armário.