Em setembro de 2020, faltando menos de um mês para a eleição, Styvenson Valentim foi às redes sociais para comunicar que o Podemos não teria mais candidatura à Prefeitura de Mossoró. A empresária Bianca Negreiros havia tido seu nome aprovado na convenção partidária, mas acabou desistindo por não se enquadrar nos rigorosos critérios de Styvenson – que era presidente do partido.
Na época, a informação divulgada era que Bianca não poderia ser candidata a prefeita porque já havia respondido a um processo junto à Receita Federal 20 anos antes. Por não se enquadrar no critério de ter um “passado limpo”, mesmo estando em tese elegível, ela própria saiu de cena e acabou não disputando a eleição. A situação foi vexatória e humilhante para a empresária, que foi exposta a constrangimento.

Chega 2022, e Styvenson confirma sua candidatura ao Governo do Estado. Por coerência, esperava-se que o senador – que costuma ser fiscal da moralidade de outros políticos – mantivesse o mesmo critério adotado até agora em seu mandato.
Mas não. O critério que valeu para prefeitos constrangidos por ele parece não ter sido levado em consideração para a escolha de sua candidata a vice-governadora.
Styvenson escolheu como companheira de chapa a professora Francisca Henrique, que é ré em ação proposta pelo Ministério Público por improbidade. Isso sem falar no fato de a Justiça Eleitoral ter reprovado a prestação de contas da campanha dela à Prefeitura de Parnamirim em 2020. Estamos diante, claramente, de um peso e duas medidas.
O capitão da PM, hoje congressista, está mergulhado em um poço de incoerência. Se o senador rechaça qualquer indício de irregularidade e conclama seus seguidores e eleitores a investigar a vida pregressa dos políticos, por que aceitar na chapa alguém que responde a um processo por má gestão de recursos públicos?
É importante enfatizar que este AGORA RN não faz julgamentos precipitados nem trata como condenado alguém que está respondendo a uma ação, mesmo que esta tenha sido aberta a pedido do Ministério Público, órgão isento e apolítico. Como dizem a Constituição e as leis, todos são inocentes até que se prove o contrário.
O problema está na incoerência do senador. Styvenson, que age como apóstolo da moralidade e se comporta como se fosse o paladino da honestidade, cai na contradição na hora que anuncia como companheira de chapa uma candidata a vice-governadora com um histórico de tantas suspeitas.
Mais suspeito ainda, diga-se de passagem, é o silêncio do senador sobre o assunto. Desde sexta-feira, quando surgiram as primeiras informações sobre os processos de Francisca Henrique, o senador não se pronunciou claramente sobre o caso. Vai ver está refletindo sobre a talvez má escolha feita.