O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte (OAB/RN) e dirigentes de cursos de direito de instituições de ensino do RN criticam duramente a iniciativa do Ministério da Educação (MEC) de sinalizar a criação do ensino a distância integral do curso de direito.
O AGORA RN buscou o advogado e presidente da OAB/RN, Aldo Medeiros, que se mostrou contra a aprovação do curso na modalidade e esclareceu que o MEC não tem mais levado em conta a opinião da OAB.

“Nós da OAB estamos muito preocupados com essa situação. Antes para os cursos jurídicos serem aprovados era passado pela OAB, há uns 15 ou 10 anos, o MEC deixou de levar em conta o parecer da OAB, a gente não impedia do curso ser aprovado, mas nosso parecer era levado em conta”, disse ele.
O presidente ainda ressaltou a responsabilidade que um advogado tem com a sociedade. “Quem atua no direito tem uma responsabilidade muito grande. Se isso é aprovado, está se expondo a população a verdadeiros desastres”, explicou o advogado.
Aldo contou que a OAB tem procurado fazer o MEC ser mais racional em relação a essa situação, visto que, para ele, mesmo com o interesse do aluno, nada substitui a presença de um professor experiente dentro de sala de aula.
O advogado contou que atualmente a OAB Nacional tem em média 1 milhão e 300 mil advogados, enquanto a OAB/RN possui cerca de 515 mil e 500 profissionais.
O AGORA RN também buscou o Chefe de Gabinete e professor da Faculdade de Direito (FAD) da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), Lauro Gurgel, que se criticou a possibilidade de reconhecimento do curso na modalidade EAD.
“Sou defensor dos cursos presenciais, com uso das tecnologias como instrumento de apoio”, declarou o professor quando questionado sobre sua opinião sobre as sinalizações que o MEC tem feito a respeito da educação a distância.
Ele ainda explicou o motivo de não ser a favor dessa modalidade. “A formação jurídica precisa ser humanizada e construída a partir de reflexões interpessoais”, completou ele.