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Inovação

Startup do RN cria uma tecnologia para reduzir ruído de aerogeradores

Incubada no Metrópole Parque, Jupitera vence concurso nacional entre 101 propostas e desenvolve dispositivo para reduzir incômodo sonoro em comunidades próximas a parques eólicos
Agora RN
03/10/2026 | 01:12

Uma startup incubada no Parque Tecnológico Metrópole Digital, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), desenvolve uma tecnologia para reduzir o impacto do ruído de aerogeradores dentro das residências. Criada em abril, a Jupitera trabalha no PER (Perturbador de Envelope Rítmico), dispositivo eletrônico que processa sinais sonoros em tempo real e deverá ter seu primeiro equipamento pronto em cerca de nove meses. O projeto acaba de conquistar o primeiro lugar no Concurso Ideias Inovadoras, realizado em Salvador.

A empresa potiguar recebeu R$ 10 mil pela primeira colocação. O concurso, promovido pela incubadora Desavexe, vinculada ao Centro de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Cepedi) e ao Hub Salvador, recebeu 101 propostas de 11 Estados. A Jupitera avançou pelas etapas de avaliação até integrar o grupo de dez finalistas que participou do Pitch Final/ Demoday em 30 de setembro.

Três homens apresentam o prêmio de primeiro lugar do Concurso Desavexe 2026
Representantes da Jupitera, com o prêmio nacional em mãos, agora se preparam para mostrar o projeto na Alemanha — Foto: Divulgação

A solução tem origem em uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Gestão, Inovação e Sustentabilidade (Propgis) da UFRN. O PER atua especificamente sobre a modulação de amplitude do ruído dos aerogeradores — o componente rítmico e pulsante associado ao movimento das pás. Diferentemente de uma intervenção realizada na própria turbina, o equipamento deverá ser instalado no ambiente em que o som é recebido.

A proposta é colocar o dispositivo principalmente nos quartos das residências próximas a parques eólicos. O sistema utiliza processamento digital de sinais em tempo real para atuar sobre a repetição rítmica do som e reduzir o incômodo durante o sono. Atualmente, o protótipo está na etapa de simulações e testes de bancada. Depois dessa fase, a empresa pretende realizar testes com pessoas.

A tecnologia também está em processo de proteção intelectual. A Jupitera prepara um pedido de patente em cotitularidade com a UFRN, vínculo que mantém a universidade associada ao desenvolvimento tecnológico enquanto a startup trabalha para transformar o resultado da pesquisa acadêmica em produto.

O projeto ganhou projeção nacional poucos meses depois da abertura da empresa. Na primeira fase do Concurso Desavexe, a Jupitera obteve 92 pontos em uma escala de 100 e ficou entre os 20 projetos classificados. O corte estabelecido para avançar era de 70 pontos. Depois, dez iniciativas chegaram à etapa final, na qual a empresa potiguar ficou com a primeira colocação.

“Foi uma experiência incrível, entre mais de 100 startups, após várias etapas, ser contemplado com o primeiro lugar. Isso chancela muito o caminho que a gente vem seguindo”, afirmou Felipe Neves, pesquisador e fundador da Jupitera. Além dos R$ 10 mil destinados à vencedora, o concurso distribuiu R$ 3,5 mil ao segundo colocado e R$ 1,5 mil ao terceiro, totalizando R$ 15 mil em premiações.

A startup também foi selecionada para o Programa Capital Empreendedor, do Sebrae, e agora busca ampliar a exposição internacional da tecnologia. Entre os dias 7 e 9 de outubro, o projeto será apresentado na Alemanha durante o Halle-Symposium Social Science in the Energy System Transformation, encontro que reúne pesquisadores de diferentes países para discutir os efeitos sociais da transformação dos sistemas energéticos.

A trajetória coloca a Jupitera em uma área diretamente relacionada à expansão da geração eólica e às discussões sobre a convivência entre parques de geração e comunidades vizinhas. Para a empresa, os próximos passos serão concluir o protótipo, avançar para a validação com usuários e encaminhar a proteção da propriedade intelectual antes de transformar a tecnologia desenvolvida na UFRN em um produto disponível no mercado.