BUSCAR
BUSCAR
Saúde

Teste detecta quatro vezes mais HPV que Papanicolau

Pesquisa realizada em diferentes regiões do Brasil reforça potencial do novo exame no rastreamento do câncer de colo do útero
Por O Correio de Hoje
29/05/2026 | 13:38

Um estudo realizado em diferentes regiões do Brasil reforça o potencial do teste molecular para HPV como ferramenta de rastreamento do câncer de colo do útero. A pesquisa mostrou que o novo método consegue identificar quase quatro vezes mais casos de infecção pelo papilomavírus humano (HPV) do que o exame de Papanicolau, atualmente utilizado como principal estratégia de rastreamento na rede pública de saúde.

A tecnologia, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), começou a ser incorporada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e deverá substituir gradualmente o exame convencional em todo o país. Os resultados da pesquisa reforçam a expectativa de especialistas e autoridades sanitárias de ampliar a capacidade de detecção precoce do vírus, considerado a principal causa do câncer de colo do útero.

doctor vaccinating patient clinic
Pesquisa realizada em diferentes regiões do Brasil reforça potencial do novo exame no rastreamento do câncer de colo do útero - Foto: Freepik

O trabalho avaliou 4.173 amostras cervicais coletadas de mulheres com idades entre 20 e 69 anos nas regiões Sul, Sudeste e no entorno de Brasília. Todas as participantes realizaram simultaneamente o exame de Papanicolau e o teste molecular para HPV de alto risco, permitindo uma comparação direta entre os dois métodos.

Os resultados apontaram uma diferença expressiva na capacidade de detecção. Enquanto a taxa de positividade do teste molecular ficou em torno de 25%, o percentual observado no Papanicolau foi de 5,7%. Além disso, aproximadamente 18% das amostras analisadas pelo novo método apresentaram infecções por tipos de HPV classificados como de alto risco, grupo diretamente relacionado ao desenvolvimento de lesões precursoras e do câncer de colo do útero.

O estudo foi conduzido por Marco Zonta, especialista em Citopatologia e Oncologia Molecular e pós-doutor em Infectologia pela Unifesp. Segundo o pesquisador, os resultados ajudam a compreender a circulação dos diferentes tipos do vírus em diversas regiões do país e reforçam a necessidade de ampliar o rastreamento.

“No Sul, por exemplo, o tipo do HPV mais prevalente foi o 16, que é o mais comum em todo o mundo, ligado ao câncer de colo uterino. Em Sorocaba, a família 50 foi mais prevalente. O que é importante é que essa prevalência foi em mulheres de 35 a 60 anos, e essa é uma faixa etária perigosa porque não foi contemplada pela vacina para o HPV, já que o programa foi instalado em 2014.”

Os resultados ainda não foram publicados em revista científica, mas já começaram a ser apresentados a secretarias de Saúde de diferentes estados brasileiros. A divulgação nacional ocorreu durante o Cervicolp 2026 – XXXV Encontro de Atualização em PTGI e Colposcopia, realizado em maio, em São Paulo. Antes disso, os dados foram levados a congressos.

A pesquisa ganha relevância em um momento de transição nas políticas públicas de prevenção ao câncer de colo do útero. Desde o ano passado, o Ministério da Saúde iniciou a substituição gradual do Papanicolau pelo teste molecular para HPV como principal ferramenta de rastreamento da doença.

A implementação começou em 12 estados brasileiros e a expectativa da pasta é expandir a oferta para todo o território nacional até o final de 2026. Entre os principais benefícios do novo exame está a maior sensibilidade diagnóstica. O método permite identificar a presença do vírus antes mesmo do surgimento de alterações celulares detectáveis pelo Papanicolau.