A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) informou nesta quinta-feira 20 que o surto de bactéria multirresistente registrado no Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho, em Macaíba, está sob controle. Entre maio e julho deste ano, a unidade identificou 16 registros de infecção ou colonização envolvendo 15 pacientes. Parte deles morreu durante a internação, mas a pasta afirma que a análise dos casos não permite relacionar diretamente os óbitos à bactéria.
Segundo a secretária adjunta da Sesap, Leidiane Queiroz, atualmente dois pacientes relacionados ao surto permanecem na unidade. Um deles já está na enfermaria, sem necessidade de tratamento e livre da colonização, enquanto outro permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde conclui um novo ciclo de antibioticoterapia, sob isolamento e acompanhamento de infectologista.

“A primeira coisa que eu quero fazer é tranquilizar toda a população. Nesse momento, nós não temos pacientes que estão infectando outras pessoas no Hospital de Macaíba”, afirmou Leidiane, à TV Ponta Negra. Segundo ela, entre os pacientes atingidos pelo episódio houve casos de alta hospitalar, transferência para outras unidades e mortes.
O microrganismo identificado foi uma bactéria do gênero Klebsiella, conhecida como KPC. De acordo com a Sesap, a transmissão ocorre principalmente pelo contato, o que exige medidas como higienização das mãos, isolamento de pacientes infectados e cuidados com o compartilhamento ou transferência de objetos.
A classificação como bactéria multirresistente está relacionada à capacidade do microrganismo de resistir a diferentes antibióticos. Isso reduz as opções disponíveis para o tratamento e exige a realização de exames para identificar quais medicamentos são capazes de combater a infecção em cada situação.
A Secretaria também analisou os óbitos registrados entre os pacientes que tiveram a bactéria identificada. Segundo Leidiane, as mortes tiveram causas diversas e não é possível afirmar que tenham sido provocadas diretamente pelo surto.
A gestora explicou que pacientes internados em UTI geralmente apresentam condições clínicas que aumentam a vulnerabilidade às infecções. Nesses casos, uma infecção hospitalar pode dificultar a recuperação, mas sua presença não significa necessariamente que tenha sido a causa da morte.
“As causas são diversas. É óbvio que um paciente que já está na UTI, que já está com as defesas baixas, pega uma infecção hospitalar e vai ter uma dificuldade maior de se recuperar. Mas não quer dizer, necessariamente, que esses óbitos foram motivados por essa bactéria”, afirmou.
O Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho recebe, segundo a Sesap, pacientes com doenças crônicas e pessoas transferidas de outros serviços de saúde. A Secretaria informou que alguns pacientes relacionados ao episódio já chegaram à unidade com a bactéria identificada.
Entre maio e julho, a unidade contabilizou 16 registros de infecção ou colonização por bactérias multirresistentes em 15 pacientes. A diferença ocorre porque um mesmo paciente teve mais de um registro. Parte dos casos foi identificada em pessoas transferidas de outras unidades, enquanto outros foram associados à assistência prestada no hospital de Macaíba.
Cuidados foram reforçados na rede estadual
Após a identificação do surto, a Sesap informou que reforçou as medidas de prevenção nas unidades estaduais. A orientação é manter as precauções já adotadas pelas equipes de controle de infecção hospitalar e segurança do paciente, além de garantir medicamentos, insumos e condições adequadas de isolamento.
A Secretaria também reforçou as orientações para familiares que visitam pacientes internados em UTIs. Entre as medidas estão lavar as mãos, evitar contato desnecessário e seguir as determinações das equipes responsáveis pelo atendimento.
Leidiane afirmou que a ocorrência em Macaíba também levou ao reforço das orientações nas demais unidades da rede estadual, principalmente diante da circulação de pacientes entre hospitais e outros serviços de saúde.
A Sesap relaciona ainda a prevenção de infecções ao tempo de permanência nas UTIs. Segundo a Secretaria, pacientes crônicos e com outras doenças podem permanecer internados por períodos maiores e, consequentemente, ficar mais expostos a infecções hospitalares. A pasta informou que vem reforçando com as equipes a avaliação dos casos e a adoção de medidas para permitir a alta da terapia intensiva assim que houver condições clínicas.
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