Sete em cada dez consumidores brasileiros temem receber medicamentos falsificados em compras pela internet. É o que mostra pesquisa do Instituto QualiBest encomendada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), que ouviu 2.024 pessoas: 69% citaram o medo de falsificação; 59%, o de produtos vencidos ou armazenados de forma inadequada; e 54%, o de itens sem registro na Anvisa.
O levantamento quantitativo foi realizado entre 13 e 17 de julho, com participantes das cinco regiões do País. A pesquisa foi divulgada em meio à discussão sobre o papel de marketplaces e aplicativos na logística e na comercialização de medicamentos.

O que a lei permitiu
A Lei nº 15.357/2026, sancionada em 20 de março e publicada em 23 de março, incluiu na legislação a possibilidade de farmácias e drogarias licenciadas contratarem plataformas digitais e empresas de comércio eletrônico para serviços de logística e entrega ao consumidor, observadas as regras sanitárias.
A mudança não transforma automaticamente as plataformas em farmácias nem autoriza a venda independente de medicamentos por empresas sem licença sanitária. O estabelecimento farmacêutico continua responsável pela dispensação e pela regularidade do produto.
O que ainda depende da Anvisa
Em esclarecimento publicado em 10 de agosto, a Anvisa informou que a revogação de medidas preventivas aplicadas a plataformas como Rappi, iFood, Mercado Livre, B2W e Shopee não as isenta do cumprimento das normas sanitárias.
A agência ressaltou que a revogação não representa autorização automática para comercializar medicamentos. Segundo a Anvisa, a aplicação do novo dispositivo legal ainda depende de regulamentação específica. Até que as regras sejam definidas, é necessário distinguir o apoio logístico e a entrega, admitidos para estabelecimentos licenciados, da autorização para a plataforma vender medicamentos por conta própria.
Consumidores cobram responsabilização
A pesquisa também mediu as expectativas em relação à futura regulamentação. Para 85% dos entrevistados, as plataformas devem ser responsabilizadas por medicamentos falsos vendidos em seus ambientes. Outros 82% defendem que a comercialização on-line esteja vinculada a farmácias autorizadas.
Os números foram noticiados originalmente por O Correio de Hoje.
Para o consumidor, permanecem cuidados básicos: verificar se a venda está vinculada a farmácia ou drogaria licenciada, exigir nota fiscal, conferir a procedência e o registro do produto e desconfiar de preços muito abaixo dos praticados no mercado.