A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte afirmou que tratou como urgência o pedido de tomografia para Maria das Graças de Oliveira, de 73 anos, que morreu na manhã de segunda-feira 17 enquanto estava internada no Hospital dos Pescadores, em Natal.
Em nota, a Sesap informou que a solicitação chegou à regulação estadual no sábado 15. A equipe técnica analisou o pedido, classificou o caso como urgente e encaminhou imediatamente a solicitação ao Hospital Universitário Onofre Lopes, responsável pelo procedimento. O HUOL agendou a tomografia abdominal para esta quarta-feira 19. Maria das Graças morreu por volta das 5h30 da segunda-feira, antes que o exame fosse realizado.

“A Sesap ressalta que, desde o recebimento da solicitação, o pedido foi analisado e encaminhado com prioridade pela equipe de regulação, seguindo os fluxos estabelecidos para os casos classificados como urgência”, afirmou a Secretaria.
O relato da família
A manifestação da Sesap responde a denúncias feitas por familiares. Segundo a neta da paciente, Débora Raquel, a família foi informada de que havia solicitação para tomografia e endoscopia, mas depois teria descoberto que o pedido não aparecia no sistema.
De acordo com o relato, Maria das Graças procurou o Hospital dos Pescadores no domingo 9, após sentir fortes dores abdominais, mas foi medicada e liberada. “Falaram que não havia necessidade de internação, que não era nada grave”, contou a neta. A paciente retornou à unidade e acabou internada na quarta-feira, após a família insistir pela permanência.
No sábado, segundo Débora, um profissional de saúde conhecido da família consultou o sistema e não encontrou o pedido. “Quando olhou no sistema, não havia nenhuma solicitação, nenhuma solicitação”, afirmou. Ela disse ainda que novas tentativas de viabilizar o procedimento ocorreram quando a avó já estava debilitada. “Minha avó já estava num estado que ela não conseguia mais se locomover, sair daqui do hospital para fazer esse exame, entendeu? Teve uma negligência nisso aí.”
A família também relatou ter sido informada inicialmente de possível pancreatite. Após exames de sangue, teria sido comunicada de um quadro de infecção generalizada. “Depois disso, descobriram ontem que ela estava com infecção generalizada. Como é que pode? Nos exames anteriores, eles só vinham a descobrir no último dia dela de vida?”, questionou.
O que se sabe e o que não se sabe
A alegação de negligência é da família e não foi confirmada pelos órgãos responsáveis. A reportagem original apurou que Maria das Graças chegou ao Hospital dos Pescadores com quadro considerado estável e realizou alguns exames durante o atendimento, mas o estado de saúde se agravou de forma súbita durante a internação. A causa da morte ainda está sendo investigada.
Há um ponto que as duas versões não esclarecem: entre o domingo 9, quando a paciente procurou atendimento pela primeira vez, e o sábado 15, quando o pedido chegou à regulação estadual, passaram-se seis dias. A nota da Sesap trata apenas do intervalo a partir do recebimento da solicitação.
Maria das Graças era enfermeira aposentada e trabalhou 37 anos no serviço público. “Ela serviu. Ela é a pessoa do melhor coração que eu já conheci, foi minha avó. E na hora que ela precisou, não teve, não teve ninguém”, afirmou a neta.
O posicionamento da Secretaria foi noticiado originalmente por O Correio de Hoje, em reportagem sobre a prioridade dada ao pedido de tomografia. A morte da paciente havia sido noticiada pelo Agora RN em 17 de agosto.