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Saneamento

RN corre contra o tempo para universalizar saneamento até 2033

Estado amplia investimentos para universalizar o saneamento até 2033, mas maioria dos imóveis ainda depende de fossas sépticas
Por Rebecca Alves, O Correio de Hoje
16/07/2026 | 16:22

O Rio Grande do Norte ainda está distante da universalização do esgotamento sanitário. Dados do Índice de Cobertura da Agência Nacional de Águas (ANA), de março de 2026, mostram que apenas 26% da população do Estado é atendida pela rede de esgoto. Em Natal, o índice é maior, chegando a 41,4%, mas a maior parte dos imóveis ainda não está conectada ao sistema público de coleta e tratamento.

Na capital potiguar, a cobertura de abastecimento de água alcança 86,69%, enquanto no estado o índice é de 83,5%, indicando que o maior gargalo do saneamento continua sendo a coleta e o tratamento de esgoto.

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Apenas 26% da população do Rio Grande do Norte é atendida pela rede pública de esgotamento sanitário - Foto: agência brasil

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ajudam a dimensionar esse cenário. No Rio Grande do Norte, 41,4% dos domicílios utilizam fossa séptica não ligada à rede pública, enquanto apenas 36,3% estão conectados à rede geral ou pluvial. Outros 8,8% possuem fossa séptica ligada à rede e 13,5% utilizam outras formas de esgotamento sanitário, como fossas rudimentares, valas, rios, lagos ou mar.

Em Natal, o levantamento aponta uma situação mais favorável, mas ainda distante da universalização. Considerando os domicílios em geral, 44,1% estão ligados à rede geral ou pluvial, enquanto 42,2% ainda dependem de fossas sépticas não conectadas ao sistema público. Outros 8,3% utilizam fossa ligada à rede e 5,3% recorrem a outros tipos de esgotamento.

Quando analisados apenas os domicílios urbanos da capital, o percentual de imóveis atendidos pela rede sobe para 61,1%, enquanto 25,2% continuam utilizando fossa séptica não ligada à rede. Outros 8,3% possuem fossa ligada ao sistema e 5,4% utilizam outras formas de destinação dos dejetos.

Expansão

Segundo a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), o estado vive uma fase de expansão da infraestrutura de saneamento. A companhia mantém obras em municípios como Natal, Parnamirim, Caicó, Macaíba, Mossoró, Assú, Apodi e Parelhas.

Na capital, mais de 30 mil residências já foram notificadas para realizar a interligação à rede de esgoto existente. O cronograma técnico prevê ainda 25 mil novas ligações até o fim de 2026, medida que deverá ampliar o índice de atendimento do sistema de esgotamento sanitário.

O planejamento da Caern está alinhado às metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento, que prevê a universalização dos serviços até 2033. De acordo com a companhia, o cronograma de investimentos em Natal prevê que a capital alcance a universalização do esgotamento sanitário antes desse prazo. Paralelamente, a empresa executa obras para ampliar a cobertura em municípios do interior.

Outro projeto considerado pela companhia para ampliar o atendimento é a Parceria Público-Privada (PPP) do saneamento, estimada em R$ 3,8 bilhões, que deverá financiar parte da expansão dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto no Rio Grande do Norte.

Apesar dos investimentos em andamento, os números mais recentes mostram que a maior parte das residências potiguares ainda depende de soluções individuais para o esgotamento sanitário, principalmente fossas sépticas não conectadas à rede pública. O cenário evidencia a distância entre a cobertura atual e a meta de universalização prevista para os próximos anos.